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Anusorn Nakdee via Shuttersstock
Ilustração 3D de Mycobacterium tuberculosis
Por Redação SciAdvances
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Estima-se que a tuberculose, uma infecção pulmonar causada pela Mycobacterium tuberculosis, cause aproximadamente 1,2 milhão de mortes em todo o mundo por ano.
A tuberculose se propaga quando um indivíduo infectado tosse, fala ou respira, lançando no ar gotículas microscópicas que contêm a bactéria e que podem permanecer suspensas no ar tempo suficiente para serem inaladas por outra pessoa.
Essas bactérias da tuberculose liberadas no ar por indivíduos infectados ficam ressecadas, formando partículas infecciosas cuja capacidade de contágio perde apenas para o sarampo.
Neste cenário, a resistência ao tratamento clássico da doença com o antibiótico rifampicina – devido a mutações genéticas nas bactérias que tornam o medicamento ineficaz – é uma preocupação de saúde pública em todo o mundo.
Quando a doença se expressa em uma forma resistente a medicamentos, o tratamento costuma ser mais complexo e mais demorado, o que aumenta a chance de desfecho fatal.
Uma pesquisa liderada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade Cornell, nos EUA, descobriu mecanismos específicos que permitem à bactéria da tuberculose sobreviver ao ressecamento que ocorre durante a transmissão de uma pessoa para outra e também se tornar resistente ao tratamento.
Os cientistas avançaram na compreensão das mutações associadas à resistência das bactérias, sugerindo que a transmissão envolve mais do que o movimento passivo dos patógenos entre pessoas e pode ser um período de evolução do microrganismo.
O estudo, publicado na revista científica Nature Microbiology, mostrou que o ressecamento das bactérias desencadeia uma resposta de reparo de DNA que melhora a sobrevivência da bactéria e ainda aumenta o surgimento de mutações que tornam a bactéria resistente à rifampicina.
Em laboratório, a simulação das condições de ressecamento durante a transmissão da doença mostrou que a tuberculose desenvolveu mecanismos específicos para suportar as condições adversas da transmissão aérea.
Os cientistas também analisaram mais de 50.000 genomas de tuberculose isolados de pacientes em todo o mundo para confirmar observações experimentais e indicar um gene de reparo de DNA chamado Mfd como um novo potencial alvo terapêutico.
O Dr. Kyu Rhee, professor de Medicina da Universidade Cornell e coautor sênior do estudo, destacou que as descobertas podem ajudar a desenvolver novas estratégias para interromper a transmissão da tuberculose e combater a resistência a medicamentos.
O Dr. Christopher Brown, pesquisador de Cornell e primeiro autor do estudo, explicou que danos ao DNA ocorridos durante a transmissão podem contribuir para a diversidade genética que permite à tuberculose se adaptar e, em alguns casos, adquirir resistência a medicamentos.
Por outro lado, o silenciamento do gene Mfd durante experimentos de aerossolização em laboratório reduziu a sobrevivência de bactérias resistentes à rifampicina.
Nos genomas analisados, as cepas com mutações no gene Mfd apresentaram uma probabilidade bem menor de conter a mutação de resistência à rifampicina, confirmando as evidências laboratoriais de que o gene Mfd ajuda certas cepas resistentes a sobreviver à transmissão.
De acordo com o Dr. Christopher Brown, compreender melhor a capacidade de propagação da tuberculose pode ajudar a desenvolver estratégias eficazes que causem impacto em escala global.
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