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Mulher grávida medindo a glicemia
Por Redação SciAdvances
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O diabetes gestacional causa hiperglicemia durante a gravidez e é uma das causas do trabalho de parto prematuro.
O parto é considerado prematuro quando acontece antes das 37 semanas de gestação, sendo uma das principais causas de mortalidade e morbidade para mães e bebês.
O nascimento prematuro expõe os bebês a riscos como desconforto respiratório, complicações no desenvolvimento e longos períodos de internação em unidades de terapia intensiva neonatal. Para as mães, o parto prematuro pode levar ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e a altas taxas de ansiedade e depressão, dentre outros efeitos.
Uma nova metanálise em nível de paciente publicada na revista científica New England Journal of Medicine Evidence investigou se a metformina, um medicamento de uso comum para tratar o diabetes, poderia ajudar a prevenir o diabetes gestacional e reduzir o risco de partos precoces e prematuros em mães com alto risco metabólico.
Embora os efeitos em longo prazo da metformina durante a gravidez continuem sendo estudados, os pesquisadores descobriram que, embora o medicamento não tenha prevenido o diabetes gestacional de forma geral, houveram benefícios protetores significativos contra o parto prematuro.
Os pesquisadores analisaram dados individuais de pacientes provenientes de sete ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo, envolvendo 2.297 gestações de alto risco metabólico — incluindo casos de excesso de peso, resistência à insulina ou síndrome metabólica ovariana poliendócrina.
A pesquisa faz parte do estudo global Metformin in Pregnancy Study (MiPS), uma ampla colaboração internacional entre cientistas de 12 países liderada por pesquisadores da Universidade Monash.
A Dra. Aya Mousa, professora da Universidade Monash e primeira autora do estudo, afirmou que as mulheres que utilizaram metformina apresentaram uma probabilidade 35% menor de ter parto prematuro em comparação com aquelas que receberam placebo.
Segundo a professora, foi observada uma redução de 50% na taxa de partos antes das 34 semanas (2,2%, em comparação com 4,4% no grupo que recebeu placebo). Além disso, entre as mulheres que tiveram parto prematuro, a gravidez foi prolongada em uma média de 11 dias para as mulheres que tomaram metformina.
A Dra. Helena Teede, professora da Universidade Monash e coautora sênior do estudo, destacou que, ao reunir os dados originais de milhares de mulheres provenientes de estudos internacionais, os cientistas conseguiram analisar as participantes individualmente e considerar variáveis como idade, índice de massa corporal, glicemia e o momento de início do tratamento, podendo traçar um cenário mais claro sobre os efeitos da metformina durante a gravidez.
A metformina não afetou outros desfechos da gestação, incluindo peso ao nascer, pressão alta, pré-eclâmpsia, indução do parto ou parto cesáreo.
Agora, os cientistas estão investigando os efeitos em longo prazo da exposição à metformina durante a gravidez.
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Acesse o protocolo utilizado no estudo, publicado na revista científica BMJ Open em 2020 (em inglês).
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