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Por Redação SciAdvances
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Dados do Global Cancer Observatory da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o câncer de pulmão provoca entre 1,8 e 1,9 milhão de óbitos por ano no mundo todo, tornando-o o câncer mais letal. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que o câncer de pulmão provoca mais de 30 mil mortes anuais.
Apesar do tabagismo ser o principal fator de risco para o câncer de pulmão, outras exposições ambientais também podem contribuir para a doença.
Neste cenário, grupos de pesquisa tentam desenvolver terapias que possam ajudar na prevenção do câncer de pulmão em pacientes de alto risco, o que poderia reduzir significativamente o número de mortes causadas pela doença.
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e da Escola Médica de Harvard, nos EUA, descobriram que a enzima caspase-1, envolvida na inflamação pulmonar, está ativa durante o desenvolvimento de tumores de pulmão em camundongos.
Além disso, a equipe de pesquisa também demonstrou que, tratando os animais com um fármaco que inibe a enzima, o risco de ocorrência do câncer, bem como a agressividade dos tumores, foi significativamente menor.
Os pesquisadores utilizaram um modelo de camundongo geneticamente modificado para ativar mutações genéticas causadoras de câncer. Os camundongos também expressam um peptídeo chamado SIINFEKL, que ajuda a ativar células T e a estimular a inflamação no pulmão.
Os experimentos com os camundongos foram planejados para modelar o risco aumentado de câncer, começando antes mesmo de a formação do tumor ser detectável. Cinco semanas após induzirem as mutações causadoras de câncer, os pesquisadores injetaram em alguns dos camundongos um tratamento com anticorpo que bloqueia a citocina IL-1 beta – que já tinha apresentado bons resultados em estudos anteriores – enquanto outros animais não receberam tratamento.
Todos os camundongos não tratados desenvolveram tumores pulmonares. Nestes animais, a caspase-1 apresentou alta atividade.
No entanto, nos camundongos tratados e que desenvolveram menos tumores, a atividade da caspase-1 estava significativamente reduzida. Os pesquisadores também constataram que, nos camundongos não tratados, a caspase-1 ativa estava basicamente nos tumores pulmonares, e não no tecido saudável adjacente.
Os pesquisadores também analisaram algumas amostras de fluido pulmonar humano, onde observaram níveis mais elevados de atividade da caspase-1 em pacientes com câncer de pulmão em comparação com doadores saudáveis, apesar de um histórico comum de tabagismo.
Então, antes do desenvolvimento dos tumores, os pesquisadores começaram a tratar camundongos em situação de risco com um inibidor da enzima caspase-1, um anticorpo que bloqueia a citocina IL-1 beta ou ambos.
Nos camundongos que receberam ambos os medicamentos, quase 20% não desenvolveram tumores. Nos animais que receberam apenas o inibidor de caspase-1 ou apenas o anticorpo contra IL-1 beta, os tumores foram muito menores e menos numerosos do que nos camundongos não tratados.
Como os inibidores de caspase-1 podem ser administrados por via oral, seriam mais atraentes como tratamento preventivo. Outra vantagem desses medicamentos é que eles já foram testados anteriormente em estudos clínicos para o tratamento de artrite reumatoide e outras doenças.
Agora, os cientistas esperam avançar para estudos clínicos para mostrar a eficácia da inibição da caspase-1 como tratamento preventivo do câncer de pulmão em pessoas com alto risco da doença.
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