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Por Redação SciAdvances
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Um estudo conduzido pela Dra. Ana Rojas Acosta, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e pela Dra. Sonia Tello Rozas, professora da Universidade de Quebec em Montreal, no Canadá, mostrou que o aquecimento global atua como grande amplificador das desigualdades sociais e estruturais no Brasil, principalmente no que diz respeito à segurança alimentar.
Segundo as pesquisadoras, os eventos climáticos extremos – como secas intensas, enchentes e ondas de calor – não só provocam desabastecimento de alimentos mas também desorganizam a logística e aumentam os preços ao consumidor e a volatilidade no mercado.
Para o estudo, foi utilizada uma metodologia mista que consultou quase uma centena de especialistas e profissionais da gestão pública de sistemas alimentares em todas as regiões do Brasil.
O levantamento apontou que entre 78% e 86% dos participantes identificaram o aumento de preço dos alimentos e a perda de renda como os principais canais de transmissão da crise climática para a mesa da população.
A pesquisa também mostrou que a influência ambiental sobre o acesso à alimentação tem diferenças regionais. Enquanto no Nordeste e no Centro-Oeste as secas prolongadas são apontadas pelos especialistas como a principal ameaça às safras e ao abastecimento, no Sudeste a maior preocupação concentra-se nas inundações e enchentes, que destroem infraestruturas de transporte e causam perdas imediatas na distribuição de alimentos.
As pesquisadoras deram destaque ao conceito de ‘injustiça climática’: populações de baixa renda, agricultores familiares, comunidades urbanas periféricas e rurais são os grupos mais penalizados pela degradação do clima, embora sejam historicamente os que menos contribuem para a emissão de gases de efeito estufa.
Segundo a professora Ana Rojas, as famílias mais vulneráveis já comprometem a maior parte de seu orçamento com comida. Quando um evento extremo destrói estradas ou reduz safras regionais, o repasse de custos é imediato, e o poder de compra dessas pessoas diminui significativamente.
A pesquisa, publicado na revista científica Global Food Security, destacou que o que acontece no Brasil serve como um alerta para todo o Sul Global.
Para enfrentar o cenário de incertezas climáticas, o estudo defende que as políticas de adaptação não tenham foco apenas no aumento da produtividade do agronegócio, mas também priorizem redes de distribuição, estoques reguladores, fortalecimento da agricultura familiar e transferência de renda.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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