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Rio Amazonas na Floresta Amazônica em Manaus, Brasil
Por Redação SciAdvances
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Os chamados ‘rios voadores’ são fluxos atmosféricos de umidade que transportam vapor d’água da bacia Amazônica para algumas regiões do Brasil, e também para outros países da América do Sul.
Com a umidade trazida do oceano, em conjunto com a umidade produzida pela evapotranspiração da vegetação amazônica, a floresta funciona como uma bomba d’água, que alimenta fluxos de ar para distribuir a umidade por boa parte do continente.
Ultimamente, estudos científicos têm usado novos recursos tecnológicos para avançar e detalhar essa ação dos ‘rios voadores’.
Um novo estudo internacional apresentou resultados quantitativos sobre como as variações na vegetação amazônica estão ligadas à umidade do solo a centenas ou até milhares de quilômetros de distância, de acordo com a trajetória dos ventos.
Publicada na revista científica Nature Communications, a pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade Sun Yat-Sen, na China; Instituto Max Planck de Biogeoquímica, na Alemanha; Universidade de Valência, na Espanha; e Universidade da Califórnia em Berkeley e Universidade Colúmbia, nos EUA.
Os pesquisadores combinam técnicas de aprendizado profundo com trajetórias de umidade atmosférica, utilizando tecnologia preditiva baseada em Inteligência Artificial (IA) desenvolvida pela própria equipe.
Pela primeira vez, essa abordagem permitiu estudar o corredor atmosférico, que inclui ventos e precipitação, dentro de um modelo que extrapola a própria floresta.
Os avanços trazidos pelo estudo reforçaram o conceito de reciclagem de umidade atmosférica: a água liberada pela vegetação por meio da evapotranspiração entra na atmosfera e pode ser transportada pelos ventos, conectando regiões distantes por meio de corredores de umidade.
Os cientistas mapearam a arquitetura das regiões de origem e destino da umidade em escala continental. Zonas agrícolas no Mato Grosso, no Paraná e na bacia do Rio da Prata apresentaram alta sensibilidade às condições da vegetação nas regiões onde se origina o transporte da umidade atmosférica.
Os resultados forneceram uma base para avaliar como as mudanças no uso da terra e a variabilidade climática podem impactar a disponibilidade de água e a exposição à seca em regiões agrícolas importantes da América do Sul.
Mapas derivados das análises identificaram o oeste e o norte da Amazônia como as principais regiões de origem da umidade, enquanto várias áreas no sudeste do continente são identificadas como regiões receptoras, potencialmente sensíveis a alterações na vegetação dessas áreas de origem.
Na Amazônia úmida, a maior cobertura foliar foi associada à maior umidade do solo nas regiões que recebem o fluxo atmosférico; enquanto, ao contrário, a degradação da copa das árvores foi associada à redução da umidade nas regiões receptoras.
Os pesquisadores ressaltaram que, embora a análise identifique associações estatisticamente significativas e fisicamente consistentes, ainda não é possível estabelecer uma relação de causalidade, o que deve motivar mais pesquisas.
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