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Por Redação SciAdvances
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O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição crônica e complexa do neurodesenvolvimento, de origem genética mas com influências ambientais, que provoca níveis mais altos que o normal de desatenção, impulsividade e hiperatividade, entre outras alterações.
Com alta prevalência em crianças e adolescentes, o TDAH pode afetar a qualidade de vida e as interações sociais.
Dentre os fatores modificáveis que podem ter influência sobre o TDAH, a alimentação tem sido estudada como recurso natural e potencialmente importante no controle dos sintomas.
Em Portugal, um novo estudo descobriu que uma menor ingestão de nutrientes com propriedades antioxidantes e de gorduras saudáveis pode estar associada a sintomas comportamentais em crianças com TDAH.
O estudo, publicado na revista científica European Child & Adolescent Psychiatry, foi conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto e da ULS São João.
Sob a liderança da Dra. Joana Ferreira Gomes, professora da FMUP, e de Sofia Pinto, doutoranda no i3S e primeira autora do estudo, os pesquisadores acompanharam 76 crianças, entre seis e dez anos de idade, com diagnóstico de TDAH.
Para descobrir como certos nutrientes poderiam estar relacionados com sintomas do TDAH, os cientistas avaliaram a ingestão desses nutrientes através de um registo alimentar de três dias, preenchido pelos pais.
Os dados foram analisados com a ajuda de um software que estima a composição dos alimentos, incluindo vitaminas e minerais, com base em tabelas alimentares.
Os resultados indicaram um consumo significativamente menor de gorduras saudáveis – monoinsaturadas e poli-insaturadas – e de vitamina C em crianças com TDAH.
Segundo os pesquisadores, níveis reduzidos de vitamina C estiveram associados a maior hiperatividade e impulsividade, enquanto níveis mais baixos de selênio relacionaram-se com mais queixas somáticas, dificuldades de pensamento, problemas sociais e comportamentos agressivos.
A professora Joana Gomes destacou que também foi identificada uma relação consistente entre menor consumo de vitamina A e sintomas como desatenção, hiperatividade e impulsividade.
Os nutrientes citados no estudo estão disponíveis no contexto de uma alimentação saudável e variada, através de alimentos como frutas e vegetais, peixes, ovos, oleaginosas e sementes.
De acordo com a Dra. Joana Gomes, ainda não é possível estabelecer uma relação de causa-efeito entre o consumo de nutrientes e a os sintomas da TDAH. Além disso, o novo conhecimento não tem a intenção de mudar orientações nutricionais individuais, mas sim motivar novas pesquisas e futuras estratégias nutricionais dirigidas inseridas em uma abordagem multidisciplinar.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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