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Ilustração 3D destacando esôfago e estômago (em vermelho)
Por Redação SciAdvances
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O esôfago, o tubo muscular que conecta a garganta ao estômago e é responsável pelo transporte ativo dos alimentos, pode estar sujeito a várias condições que promovem processos inflamatórios, o que pode provocar dor ou dificuldade de engolir.
O tratamento dessas condições inflamatórias no esôfago geralmente é feito por medicamentos que circulam por todo o corpo (medicamentos sistêmicos), o que pode desencadear efeitos colaterais indesejáveis.
Porém, a entrega de medicamentos diretamente no esôfago é um processo altamente desafiador, por dois motivos: primeiro, os medicamentos administrados por via oral passam muito rapidamente pelo esôfago; e segundo, a camada de tecido que reveste o esôfago é altamente impermeável a medicamentos.
Em um estudo liderado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, foi desenvolvida uma nova plataforma que viabiliza a absorção, no esôfago, de medicamentos administrados por via oral, sem a necessidade de entrar na circulação sistêmica.
A plataforma é constituída por um hidrogel e por compostos que aumentam a permeabilidade esofágica, e pode ser usada para administrar anticorpos ou outros tipos de medicamentos de pequenas moléculas.
O Dr. Giovanni Traverso, professor de Engenharia Mecânica no MIT, gastroenterologista no Brigham and Women’s Hospital e autor sênior do estudo, disse esperar que a nova plataforma facilite o desenvolvimento de medicamentos que possam tratar doenças relacionadas ao esôfago.
Para poder testar potenciais soluções, os pesquisadores desenvolveram um simulador físico da ingestão oral e do esôfago, a partir de tecido esofágico prensado entre duas placas verticais. O modelo permitiu medir em laboratório a quantidade de medicamento que atravessa o tecido a partir de diferentes formulações.
Com o modelo, e a partir de testes com cerca de 100 compostos diferentes, os pesquisadores descobriram que a melhor solução era um par de sais biliares chamados quenodesoxicolato de sódio e colato de sódio.
Então, os pesquisadores adicionaram esses sais biliares a um hidrogel derivado de polissacarídeo, que possui uma consistência viscosa e permite fixação à mucosa do esôfago.
A Dra. Christina Karavasili, professora na Universidade Aristóteles de Tessalônica, na Grécia, (era pós-doutoranda no MIT à época da pesquisa) e primeira autora do estudo, explicou que, enquanto o hidrogel ajuda a formulação a permanecer na superfície do esôfago por mais tempo, os sais biliares aumentam a permeabilidade do tecido ao medicamento.
Testes com animais confirmaram a eficácia do hidrogel com sais biliares na administração por via oral de um medicamento diretamente para o esôfago e também mostraram que a alteração na permeabilidade do tecido esofágico voltava ao normal após três dias.
Agora, os pesquisadores estão trabalhando na otimização da formulação para possíveis testes em humanos, garantindo que não cause desconforto aos pacientes.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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