
Divulgação, Universidade de Vigo
Dra. Lucía Cassani em laboratório da Universidade de Vigo
Por Redação SciAdvances
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Na Espanha, um novo estudo avançou no conhecimento da influência de compostos bioativos obtidos a partir de resíduos agroindustriais sobre a microbiota intestinal.
A pesquisa foi liderada pela Dra. Lucía Cassani, pesquisadora da Universidade de Vigo, com a participação de Kristin Klier, doutoranda, e da Dra. Paula García Oliveira, pesquisadora de pós-doutorado, ambas também da Universidade de Vigo.
O estudo teve foco na extração verde de compostos bioativos a partir de cascas de cebola e de maçã, com o objetivo de reintroduzi-los na alimentação, melhorar seu perfil nutricional e estudar seus efeitos na microbiota intestinal.
Com esse foco, a pesquisa também pode contribuir para a redução de desperdícios, economia circular e uso eficiente de recursos.
Compostos bioativos e simulação da digestão gastrointestinal
A Dra. Lucía Cassani destacou que foi possível recuperar compostos bioativos com alto potencial antioxidante das cascas de cebola, utilizando técnicas mais sustentáveis, com menor tempo de extração e menor uso de solventes.
Já no caso das cascas de maçã, as pesquisadoras usaram um modelo de simulação da digestão gastrointestinal que permitiu estimar o que acontece com os compostos da maçã durante a digestão, como a fermentação no cólon. Neste caso, a simulação foi validada com dados de amostras fecais de doadores saudáveis.
Impacto dos compostos bioativos de resíduos agroindustriais
A Dra. Lucía Cassani destacou que o estudo permitiu a análise da transformação de compostos fenólicos e a produção de metabólitos associados à atividade da microbiota intestinal, e também sobre como a composição das bactérias intestinais se altera em resposta a esses compostos.
De acordo com as pesquisadoras, os compostos bioativos poderiam ser usados como ingredientes naturais em alimentos, como nutracêuticos ou cosméticos.
De acordo com a pesquisadora, uma das descobertas importantes do estudo foi que nem todas as variedades de maçã se comportam da mesma maneira: cada uma pode gerar uma resposta diferente na microbiota e dar origem a diferentes compostos potencialmente benéficos.
Como principais avanços obtidos no estudo, a Dra. Lucía Cassani destacou dois pontos: primeiro, a confirmação de que realmente resíduos de cascas de cebola e de maçâ podem voltar a ser recursos alimentares importantes; e, segundo, que a diversidade na dieta, mesmo variações do mesmo alimento, pode trazer resultados positivos para a saúde através da microbiota intestinal.
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