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Yulia Furman via Shutterstock
Alimentos ultraprocessados
Por Redação SciAdvances
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As formulações industriais alimentares ricas em gordura, açúcar e sódio, com poucos nutrientes e muitos aditivos químicos – os chamados alimentos ultraprocessados – têm alto consumo em todo o mundo.
Em alguns países desenvolvidos, e também em algumas economias emergentes, o consumo de ultraprocessados chega a ultrapassar metade de toda a dieta.
Uma série de três artigos científicos publicada recentemente na revista científica The Lancet constatou que os alimentos ultraprocessados estão causando o aumento das taxas de obesidade, diabetes, doenças cardíacas e outras doenças crônicas.
Um novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, descobriu que indústrias que produzem alimentos ultraprocessados projetam e comercializam esses produtos para incentivar as pessoas a consumi-los cada vez mais.
Liderado pelo Dr. Joshua Clark, pesquisador da Universidade de Auckland, o estudo, publicado na revista científica Obesity Reviews, revisou dez anos de pesquisas internacionais para criar diagramas detalhados que mostram como esses alimentos são formulados e promovidos.
Os diagramas foram desenvolvidos por meio de discussões em grupo, revisões repetidas e um workshop de dois dias com especialistas em ciência de alimentos, marketing e pesquisa de sistemas.
O Dr. Joshua Clark explicou que a equipe de pesquisa descobriu vários ciclos de feedback que se reforçam mutuamente, impulsionando o consumo e a compra.
O novo estudo propõe que o alto consumo de alimentos ultraprocessados não é apenas uma questão de escolha pessoal, mas sim o resultado de um sistema cuidadosamente projetado para tirar proveito de como as pessoas pensam, sentem e se comportam.
O estudo também contou com a participação de pesquisadores da Universidade Deakin e da Faculdade de Medicina e Saúde da Universidade de Sydney, na Austrália; e do Instituto Internacional de Saúde Global da Universidade das Nações Unidas (UNU-IIGH), na Malásia.
Os pesquisadores identificaram que empresas de alimentos ultraprocessados utilizam uma combinação de estratégias, incluindo ingredientes que estimulam a compulsão alimentar e métodos de processamento que suprimem a sensação natural de saciedade do corpo, entre outras estratégias de marketing e vendas.
Segundo o Dr. Joshua Clark, as estratégias dos fabricantes para facilitar e aumentar o consumo de alimentos ultraprocessados faz com que as pessoas fiquem ‘presas’ nesse sistema, levando aos efeitos negativos para a saúde decorrentes do seu consumo.
O pesquisador afirmou que muitos desses produtos exploram aspectos da biologia, psicologia, comportamentos e padrões sociais para impulsionar a compra e o consumo. Nesse sentido, segundo os pesquisadores, normas sociais, rotinas diárias, práticas culturais, preferências de sabor e até mesmo o sistema de recompensa cerebral foram capturados e condicionados como parte desse sistema que manipula o desejo por alimentos ultraprocessados, permitindo que os danos à saúde ocorram como efeito colateral.
Os cientistas autores do estudo sugerem a implementação de políticas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde para reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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