Com publicação científica
Transtorno alimentar
Terapias podem ajudar crianças com transtorno alimentar a consumir maior variedade de alimentos
Tanto terapia familiar quanto terapia individual podem ajudar na recuperação do Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo

New Africa via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
1 de julho de 2026, 11:48
Fonte
Áreas
Educação Alimentar, Epidemiologia, Medicina, Nutrição Clínica, Nutrição Materno Infantil, Pediatria, Psicologia, Psiquiatria, Saúde Mental, Saúde da Criança
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Transtorno alimentar
O Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo (TARE) é um transtorno alimentar em que a pessoa come muito pouco ou evita comer determinados alimentos, podendo causar perda de peso significativa e até deficiências nutricionais significativas.
O transtorno não tem relação com a imagem corporal, como são os casos da anorexia e bulimia nervosas.
O TARE pode surgir em qualquer fase da vida, inclusive no início da infância, e afeta entre 2% e 6% das crianças e adolescentes. O diagnóstico do transtorno costuma ser tardio, pois muitas vezes é confundido com a alimentação seletiva, em que a pessoa não come determinados alimentos, principalmente no caso de crianças.
Nos casos de TARE, a alimentação extremamente seletiva não se resolve sozinha. Pessoas com TARE que param de comer devido a um evento traumático podem perder uma quantidade perigosa de peso. Em longo prazo, crianças com TARE podem enfrentar problemas de crescimento, baixa estatura e até comprometimento da fertilidade.
Avanço: em estudo randomizado e controlado inédito, pesquisadores testaram duas terapias para o transtorno
O primeiro estudo randomizado e controlado sobre o TARE mostrou como terapeutas e pais podem ajudar crianças com a condição.
O estudo, que envolveu 98 crianças de 6 a 12 anos e foi conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos EUA, foi publicado na revista científica Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry.
O Dr. James Lock, professor de Psiquiatria e Ciências do Comportamento na Escola de Medicina de Stanford e autor principal do estudo, destacou o ineditismo do estudo, que criou uma base de evidências e foi o primeiro a adotar uma abordagem sistemática, randomizada e com poder estatístico adequado para testar tratamentos para esse transtorno.
Os pesquisadores compararam dois tratamentos, ambos baseados em métodos eficazes para outros transtornos alimentares: a terapia de base familiar e a terapia motivacional psicoeducativa.
Ambos os tratamentos incluíram 14 sessões de terapia de uma hora, ao longo de quatro meses. Todas as sessões ocorreram on-line e todas as crianças participantes do estudo atendiam aos critérios diagnósticos para a TARE e estavam abaixo do peso.
Os pesquisadores acompanharam o peso das crianças participantes e a gravidade dos sintomas do TARE.
Resultados da terapia de base familiar foram melhores, mas ambas as terapias foram benéficas
O tratamento de terapia de base familiar capacitou os pais a gerenciarem a alimentação e a nutrição de seus filhos. Na primeira fase da terapia, os pais receberam orientações sobre como assumir o controle para mudar os comportamentos associados à TARE, como consumir pouquíssimos tipos de alimentos, ingerir quantidades insuficientes e evitar comer por medo de engasgar ou vomitar.
Na terapia de base familiar, com o decorrer do tempo, as crianças assumem responsabilidades adequadas à sua idade em relação a essas mudanças. Crianças, pais, irmãos e terapeutas participaram juntos de todas as sessões de tratamento.
Já na terapia motivacional psicoeducativa, o tratamento é individualizado e baseado em brincadeiras, onde a criança assume o comando. No estudo, as crianças participaram de 9 sessões com o terapeuta, enquanto os pais participaram de 5 sessões.
Neste caso, com cada criança, o terapeuta realiza atividades lúdicas que ajudam a descobrir o que poderia motivá-la a mudar seus hábitos alimentares. Por exemplo, eles podem planejar o cardápio de um restaurante imaginário ou escolher um lugar no mundo para onde a criança queira viajar e investigar a culinária local.
Ao final do estudo, as crianças submetidas à terapia familiar haviam ganhado mais peso (com significância estatística), o que foi avaliado como um bom sinal de recuperação. O mesmo não ocorreu com as crianças que seguiram a terapia motivacional psicoeducativa. Crianças com quadros de TARE mais graves também apresentaram melhores resultados com a terapia familiar do que com o tratamento individual.
De qualquer modo, os pesquisadores destacaram que ambos os tratamentos melhoraram significativamente os sintomas de TARE e as duas abordagens foram benéficas.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
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