Com publicação científica

monticello via Shutterstock
Alimentos característicos da dieta mediterrânea
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
A dieta mediterrânea prioriza alimentos frescos e integrais (frutas, vegetais, grãos, azeite de oliva e peixes) e frequentemente é associada à ‘alimentação saudável’: melhora a proteção cardiovascular, reduzindo o colesterol ruim (LDL); tem ação anti-inflamatória, já que é rica em antioxidantes e gorduras monoinsaturadas; e é associada a um menor risco de diabetes tipo 2, câncer e doenças neurodegenerativas.
Porém, como os alimentos de origem vegetal têm quantidades menores de aminoácidos essenciais do que os produtos de origem animal, as populações que consomem a dieta mediterrânea costumam ter maior fragilidade, apesar da viverem mais.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos EUA, avançou no conhecimento sobre a influência da alimentação na longevidade saudável.
Sob a liderança do Dr. Valter Longo, professor da Escola de Gerontologia da USC, os pesquisadores analisaram os efeitos da chamada ‘dieta da longevidade’, em animais e também em humanos.
A ‘dieta da longevidade’, desenvolvida pelo professor Valter Longo, seria uma dieta mediterrânea modificada, incluindo a suplementação com uma pequena quantidade do aminoácido essencial comumente encontrado em ovos, carnes e laticínios: a metionina. Portanto, uma dieta de baixo teor proteico, baseada em vegetais e peixes e suplementada com metionina.
Para analisar os efeitos da dieta da longevidade em camundongos, os pesquisadores dividiram os animais em grupos que receberam uma das seguintes dietas: dieta padrão; dieta ocidental rica em gorduras e açúcares; dieta cetogênica de baixo teor de carboidratos; ou a dieta da longevidade.
Também foi feita uma análise transversal de dados sobre a dieta e a saúde de mais de 200.000 homens e mulheres.
O estudo, publicado na revista científica Cell Metabolism, teve a participação de Gabriel Calheiros Antunes, doutorando em Fisiopatologia Médica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), além de cientistas da Universidade de Toronto, no Canadá, e da Escola de Saúde Pública de Harvard e do Children’s Hospital em Los Angeles, nos EUA.
De acordo com o professor Valter Longo, os dados combinados de camundongos e humanos indicaram que os melhores resultados para a saúde podem ser obtidos seguindo uma ‘dieta da longevidade’ que seja majoritariamente vegana ou vegetariana, mas com a inclusão de peixes.
Os camundongos que receberam a dieta da longevidade apresentaram resultados significativamente melhores, incluindo um período de vida mais saudável, redução da massa gorda sem perder massa magra e menor fragilidade, além da melhora em biomarcadores da saúde metabólica.
Os dados de humanos também mostraram benefícios semelhantes, incluindo menores taxas de obesidade e diabetes tipo 2.
A Dra. Maura Fanti, pesquisadora da USC e primeira autora do estudo, destacou que um resultado impressionante foi o papel da metionina na dieta, que provocou mudanças metabólicas drásticas.
Segundo os pesquisadores, o estudo mostrou a importância de dosar a metionina: enquanto o consumo insuficiente causa fragilidade, o excesso pode anular os benefícios da dieta, aumentando a prevalência da obesidade e do diabetes.
O professor Valter Longo destacou que os resultados indicam que a ingestão total de proteínas pode ser menos importante do que a ingestão de aminoácidos específicos.
Agora, o próximo passo é a realização de um estudo clínico controlado da dieta da longevidade em humanos.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Publicidade
Últimos avanços

Studio Romantic vis Shutterstock

Lucigerma via Shutterstock

Alexandre Magno, Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
Publicidade
Outros avanços

Universidade de Auckland

Universidade Federal de Minas Gerais




