Com publicação científica

Falhas nas mitocôndrias
Resposta celular favorece acúmulo de lipídios durante disfunção mitocondrial
Peroxissomos, envolvidos no metabolismo dos lipídios nas células, não conseguem compensar falha das mitocôndrias

Julien Tromeur via Shutterstock

Ilustração 3D sobre a estrutura da célula, com destaque para a mitocôndria

Por Redação SciAdvances

21 de maio de 2026, 06:50

Fonte

Áreas

Biologia, Metabolismo, Microbiologia

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Falhas nas mitocôndrias

As mitocôndrias e os peroxissomos são organelas essenciais que trabalham em conjunto para manter a saúde metabólica da célula. Enquanto as mitocôndrias têm um papel fundamental na produção de energia, os peroxissomos têm um papel central no metabolismo dos lipídios: quebram ácidos graxos de cadeia muito longa, produzem lipídios essenciais e oxidam substâncias tóxicas.

Mas quando as mitocôndrias deixam de funcionar corretamente, os mecanismos de compensação celular falham e isso pode agravar o desequilíbrio metabólico celular.

Para compreender melhor o que acontece na célula quando as mitocôndrias falham, pesquisadores têm estudado o que acontece também com os peroxissomos neste caso, e quais os efeitos que essa alteração provoca.

Essa correlação cruzada entre mitocôndrias e peroxissomos tem sido estudada em áreas de pesquisa que envolvem o envelhecimento e o desenvolvimento de distúrbios metabólicos e neurodegenerativos.

Avanço: mais peroxissomos não resolvem disfunção das mitocôndrias e podem criar problemas na célula

Sob a liderança de cientistas da Universidade de Coimbra, em Portugal, e com a colaboração de colegas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e também da Escola de Medicina da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, uma nova pesquisa mostrou que, quando as mitocôndrias falham, os peroxissomos tentam fazer uma compensação, mas sem sucesso.

Patrícia Coelho, doutoranda na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e primeira autora do estudo, destacou que, quando há problemas com as mitocôndrias, as células acabam aumentando o número de peroxissomos, que participam ativamente do metabolismo dos lipídios na célula.

O problema é que os peroxissomos podem ficar incapazes de metabolizar os lipídios acumulados na célula, tornando sua função ineficaz e potencialmente prejudicional.

O Dr. Nuno Raimundo, professor da Universidade de Coimbra e autor sênior do estudo, explicou que, apesar da relação funcional entre peroxissomos e mitocôndrias ser essencial para manter o equilíbrio metabólico da célula, ela parece falhar quando é mais necessária.

Resultado importante para a compreensão de doenças mitocondriais e até para a doença de Parkinson

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