Com publicação científica

Giovanni Cancemi via Shutterstock
Células T atacando células cancerosas
Por Redação SciAdvances
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A terapia celular com receptores de antígenos quiméricos, ou terapia celular CAR-T, é um tratamento em que linfócitos T do próprio paciente são coletados e geneticamente reprogramados, voltando ao paciente através de infusão intravenosa.
Quando voltam ao corpo, essas ‘super-células de defesa’ estão mais preparadas para destruir tumores específicos, principalmente cânceres de sangue
No Brasil, a terapia tem apresentado resultados promissores de remissão (com taxas superiores a 80% em pesquisas com versões 100% nacionais). No entanto, o tratamento ainda não foi incorporado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e, na rede privada, ainda tem alto custo.
Há cerca de 10 anos, a primeira terapia celular CAR-T – desenvolvida pelo Dr. Carl June, professor da Universidade da Pensilvânia, nos EUA – já estava sendo testada em estudo clínico de Fase II em pacientes com linfomas de células B.
A terapia (chamada tisagenlecleucel) veio a ser a primeira terapia celular CAR-T aprovada pela agência reguladora Food and Drug Administration (FDA), nos EUA, e foi licenciada para a farmacêutica Novartis, passando a ter o nome comercial KymriahTM.
O estudo clínico incluiu pacientes com doença recidivante/refratária, o que significa que o câncer havia retornado após outros tratamentos e/ou deixado de responder a eles. No momento da inclusão no estudo, os pacientes haviam recebido terapias anteriores, incluindo quimioterapia e, para alguns, transplante de células-tronco.
Agora, após um acompanhamento mediano de 10 anos, mais de um terço dos pacientes com linfoma de grandes células B e quase metade dos pacientes com linfoma folicular que receberam uma única infusão de tisagenlecleucel permaneciam vivos e sem recidiva do linfoma, de acordo com os resultados publicados recentemente na revista científica New England Journal of Medicine.
No acompanhamento de 38 pacientes participantes do estudo clínico de Fase II realizado na Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nenhum paciente apresentou recidiva após 5,4 anos, e a maioria das recidivas ocorreu no primeiro ano após a infusão de células CAR-T. Segundo os cientistas, esse resultado reforça a hipótese de que pacientes que apresentam resposta de longo prazo à terapia com células CAR-T podem estar curados.
Dr. Stephen J. Schuster, professor da Universidade da Pensilvânia e coautor sênior do estudo, destacou que a terapia ainda não funciona para todos, mas a equipe de pesquisa está empenhada em entender o motivo e aperfeiçoar a próxima geração de células CAR-T.
Mesmo assim, mais da metade de todos os pacientes com resposta de longo prazo recuperou níveis normais de células B (células imunes), sem recidiva do linfoma de células B.
O Dr. Marco Ruella, professor de Hematologia e Oncologia da Universidade da Pensilvânia e primeiro autor do estudo, destacou que aplicar a terapia com células CAR-T mais precocemente, antes que os pacientes tenham sofrido os efeitos cumulativos da quimioterapia, pode ser fundamental para ampliar seu potencial curativo.
Atualmente, os pesquisadores estão conduzindo diversos projetos complementares para avaliar estratégias que aumentem a eficácia da terapia com células CAR-T.
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