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Ilustração 3d de proliferação de células cancerígenas no pâncreas
Por Redação SciAdvances
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Durante o recente congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizado entre 29 de maio e 02 de junho deste ano em Chicago, nos EUA, ganhou destaque a apresentação dos resultados de um estudo clínico de Fase III de um novo medicamento, o daraxonrasib.
O medicamento foi testado em pacientes com câncer de pâncreas metastático e alcançou um feito inédito: dobrou o tempo de sobrevida.
Liderado por pesquisadores do Instituto de Câncer Dana-Farber e do MD Anderson Cancer Center, o estudo ganhou grande repercussão entre a comunidade científica.
O Dr. Daniel Delitto, oncologista cirúrgico e professor da Escola de Medicina da Universidade Stanford, nos EUA, que trata pacientes com câncer de pâncreas, destacou que os resultados apresentados no estudo clínico são realmente inéditos: a sobrevida mediana de 6,5 meses, com o tratamento padrão, foi estendida para uma mediana de 13 meses após o início do tratamento, com menos efeitos colaterais do que a quimioterapia padrão.
Ao portal da Escola de Medicina de Stanford, o especialista destacou cinco pontos principais sobre o câncer de pâncreas e os avanços no tratamento da doença:
- O câncer de pâncreas é difícil de tratar
Duas características que aumentam muito a letalidade do câncer de pâncreas são a frequente ocorrência de metástase precoce, inclusive até antes do diagnóstico, e também a própria localização do pâncreas, que dificulta o acesso cirúrgico e torna a cirurgia, mesmo quando é possível, altamente desafiadora. Neste cenário, restam a quimioterapia e a radioterapia.
Segundo o Dr. Daniel Delitto, mesmo com quimioterapia, radioterapia e até com a cirurgia, as taxas de recidiva são altas.
- Novo medicamento consegue superar o desafio de que o câncer de pâncreas é ‘intratável’
Mais de 90% dos tumores de pâncreas são causados por mutações espontâneas em um gene conhecido como KRAS. As mutações no gene KRAS associadas ao câncer deixam a proteína relacionada (K-Ras) travada em um estado de ativação constante, que favorece o crescimento tumoral.
Porém, os potenciais tratamentos com ‘inibidores de moléculas pequenas’ costumam não funcionar simplesmente porque não conseguem se fixar à proteína K-Ras para desativá-la.
Segundo o especialista, o daraxonrasib funciona de maneira diferente: ele prende a proteína K-Ras a outra proteína natural, fazendo com que as regiões ativas da proteína K-Ras fiquem bloqueadas. Então, o novo medicamento deve ser capaz de inibir qualquer proteína K-Ras mutada, o que abrange a maioria dos casos de câncer de pâncreas. Se isso se confirmar, o câncer de pâncreas passa a ser ‘tratável’.
- O medicamento ainda não foi aprovado para uso geral, mas certos pacientes podem ter acesso
O estudo clínico de Fase III fundamentou a solicitação de aprovação para a agência reguladora Food and Drug Administration (FDA), nos EUA. A empresa farmacêutica Revolution Medicines, fabricante do medicamento, obteve recentemente da FDA a autorização para o chamado ‘acesso expandido’, ou seja, oncologistas podem solicitar acesso ao medicamento em condições específicas, nos EUA.
Além desse estudo reportado no congresso da ASCO, outro estudo clínico de Fase III deverá ser iniciado brevemente na Escola de Medicina de Stanford em pacientes com câncer de pâncreas submetidos a cirurgia e quimioterapia. A expectativa é que o medicamento também reduza a recidiva do tumor nesses pacientes operados.
Com os resultados deste novo estudo clínico, o Dr. Daniel Delitto espera que a medicação possa ser oferecida a um grupo mais amplo de pacientes com câncer de pâncreas. Com a redução dos tumores, também pode aumentar a quantidade de pacientes elegíveis para cirurgia.
- Menos efeitos colaterais, mais qualidade de vida
O daraxonrasib, que é um medicamento de administração oral, parece ter menos toxicidade e efeitos colaterais do que a quimioterapia aplicada atualmente.
Os efeitos colaterais mais comuns relatados no estudo clínico foram erupções cutâneas e feridas na boca, que os médicos consideram toleráveis e uma evolução em relação aos efeitos colaterais atuais, o que pode melhorar significativamente a qualidade de vida.
- Vacinas contra o câncer de pâncreas também são promissoras
Também no congresso da ASCO foram relatados resultados de um estudo clínico de Fase I sobre uma vacina personalizada de mRNA contra o câncer de pâncreas: os pacientes tiveram sobrevida de vários anos após o início do estudo.
Com os bons resultados da Fase I, as empresas envolvidas já iniciaram um estudo clínico de Fase II.
No caso, a vacina teria um propósito diferente das vacinas comuns, que atuam mais na prevenção. Neste caso, seria uma ‘vacina terapêutica’, que treina o sistema imune e viabiliza um ataque eficiente ao tumor já presente no organismo.
A vacina, adaptada ao genoma específico do câncer do paciente, mostrou uma resposta imune persistente em 8 de 16 pacientes participantes do estudo. Desses 8 pacientes, 7 continuam vivos, 4 a 6 anos depois, sem recidiva.
O Dr. Daniel Delitto destacou que o grande desafio é a cura do câncer de pâncreas, que ainda não pode ser alcançada, mas os últimos avanços têm sido fundamentais nessa luta.
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