Com publicação científica

Divulgação, Universidade Técnica de Munique (TUM)
Muhammad Zia Ullah Khan, autor principal do estudo, examina placa de Petri com suspensão celular. Imagens de fluorescência de células em microcanais, exibidas no monitor, mostram a comunicação entre células imunes
Por Redação SciAdvances
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O conhecimento sobre como um conjunto de células imunológicas atacam células cancerosas dá uma boa ideia sobre um cenário médio, mas não consegue retratar o que acontece em nível unicelular, ou seja, como cada célula do sistema imune enfrenta e reage a uma célula cancerosa.
A compreensão de mecanismos celulares detalhados pode fortalecer a luta contra o câncer: o momento do contato célula-célula, a ativação de mecanismos de defesa e detalhes da destruição da célula cancerígena são importantes para o desenvolvimento de novas imunoterapias, mais precisas, robustas e eficazes.
Estes avanços em imunoterapias podem ser trazidos por tecnologias que usam conceitos de microfluídica para viabilizar a observação dessas interações celulares, célula a célula.
Com a finalidade de facilitar a compreensão das ações do sistema imunológico humano contra o câncer, pesquisadores da Universidade Técnica de Munique (TUM) desenvolveram um sistema, chamado CellTrap, que possibilita a observação das interações entre células imunológicas e células cancerígenas em nível unicelular.
A solução é um chip microfluídico com um grande canal principal e ramificações, onde se encontram 1024 pequenas câmaras para as quais as células são atraídas. Dentro das câmaras, células imunológicas e células cancerosas individuais podem ser seletivamente reunidas e suas interações podem ser observadas por até 14 horas.
O Dr. Ghulam Destgeer, professor de Controle e Manipulação de Objetos Vivos em Microescala da Universidade Técnica de Munique (TUM), na Alemanha, e autor sênior do estudo, explicou que o sistema CellTrap permite observar se as células imunes matam células cancerígenas e rastrear quando e em que condições isso ocorre.
Segundo o professor, a plataforma funciona em um microscópio de fluorescência padrão, do tipo que a maioria dos laboratórios já possui, sem a necessidade de equipamentos especializados.
De acordo com o Dr. Ghulam Destgeer, a tecnologia permite criar várias configurações, como células cancerígenas isoladas, células imunológicas isoladas ou diferentes proporções entre células imunológicas e cancerígenas.
Experimentos iniciais com uma linhagem de células de glioblastoma mostraram que, quando múltiplas células imunes encontram uma única célula cancerígena, ela é atacada com mais frequência e intensidade.
Os cientistas também puderam observar que sinais de ativação precoce nas células imunes frequentemente indicam que um efeito danoso à célula poderá ocorrer posteriormente.
Essas observações mostraram como as reações iniciais estão relacionadas ao resultado posterior dentro da mesma interação célula-célula.
Além dessa linhagem de glioblastoma, a equipe de pesquisa também testou o CellTrap com outras duas linhagens de células cancerígenas: uma de leucemia mieloide crônica e outra de adenocarcinoma.
Os resultados foram publicados na revista científica RSC Advances.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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