
Kurt Stüber via Wikimedia Commons
Psychotria ipecacuanha (antes Cephaelis acuminata)
Fonte
Widson Ovando, FAPEMAT
Publicação Original
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Resumo
A Psychotria ipecacuanha – conhecida popularmente como poaia, ipeca, cagosanga ou ipecacuanha – tem propriedades farmacológicas que poderiam viabilizar o desenvolvimento de um novo produto fitoterápico brasileiro para o tratamento de doenças cardiovasculares.
Essa é a conclusão de um estudo que avaliou a atividade anticoagulante e antiplaquetária in vitro do extrato da planta, tradicionalmente utilizada na medicina popular por suas propriedades eméticas e antiparasitárias.
O equilíbrio da coagulação sanguínea, conhecido como hemostasia, é essencial para a manutenção da circulação e prevenção de hemorragias. Alterações nesse sistema podem resultar em tromboses e outras doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de mortalidade no mundo. Embora existam medicamentos eficazes para controlar essas condições, o alto custo e os efeitos colaterais ainda limitam o uso prolongado em muitas populações.
Nesse contexto, um novo projeto investigou o potencial da Psychotria ipecacuanha – conhecida popularmente como poaia, ipeca, cagosanga ou ipecacuanha – como fonte de compostos naturais com ação anticoagulante, em busca de alternativas mais acessíveis e de origem vegetal.
O projeto, que recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), foi coordenado pela Dra. Celice Alexandre Silva, professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em colaboração com o Dr. Douglas Siqueira Chaves, professor do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), e com a Dra. Flavia Frattani, professora da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Estudos anteriores identificaram nos extratos da planta dois alcaloides de destaque – a emetina e a cefalina -, substâncias que apresentam reconhecidas atividades citotóxica, antiparasitária e expectorante. Pesquisas recentes indicaram que esses compostos interferem nos mecanismos de coagulação, especialmente na via intrínseca, reduzindo a formação de coágulos de forma dose-dependente.
A emetina, principal alcaloide ativo, é tóxica em doses elevadas. Pode causar náusea intensa, arritmias cardíacas e insuficiência respiratória. Por isso, o uso popular deve ser feito com extrema cautela e nunca como automedicação. Atualmente, seu uso medicinal é controlado por farmacopeias oficiais, e a coleta da planta em ambiente natural é restrita por ser uma espécie ameaçada de extinção em algumas regiões do Brasil
Os pesquisadores propuseram o fracionamento dos extratos da planta, com o objetivo de identificar as frações e moléculas responsáveis pela atividade anticoagulante. Essa abordagem poderá revelar se a ação biológica decorre de um único princípio ativo ou de uma combinação sinérgica de compostos.
Além da relevância farmacológica, o estudo reforçou a importância da biodiversidade brasileira como fonte de inovação científica. Espécies da família Rubiaceae, como Cinchona officinalis, Uncaria tomentosa e Genipa americana, já se destacaram historicamente na produção de medicamentos e no tratamento de diversas enfermidades.
A Psychotria ipecacuanha soma-se agora a esse grupo de plantas promissoras, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento de fármacos naturais voltados à saúde cardiovascular.
O foco dos estudos agora está no desenvolvimento de uma formulação para tratamento in vivo usando a emetina como substância ativa, além do extrato de Ipeca visando o desenvolvimento de um novo fitoterápico.
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Autores/Pesquisadores Citados
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