
Ground Picture via Shutterstock
Fonte
Universidade de Sevilha
Publicação Original
Áreas
Compartilhar
Resumo
Uma equipe internacional de pesquisa analisou as alterações no córtex cerebral de pessoas com psicose. Os resultados mostraram que a psicose não segue uma trajetória única, mas sim que sua evolução depende de uma interação complexa entre o desenvolvimento cerebral, os sintomas, a cognição e o tratamento.
Os cientistas enfatizaram a necessidade de adotar abordagens mais personalizadas que considerem as diferenças individuais para melhor compreender a doença e otimizar as estratégias terapêuticas a longo prazo.
Foco do Estudo
Por que é importante?
A psicose é um conjunto de sintomas — como alucinações e delírios — comuns na esquizofrenia e que envolvem a perda de contato com a realidade.
Desde sua primeira manifestação, conhecida como primeiro episódio psicótico, esses sintomas podem aparecer e evoluir de maneiras muito diferentes entre os indivíduos, tornando a esquizofrenia um transtorno particularmente complexo.
A progressão clínica durante a psicose tem sido intimamente associada a anormalidades da substância cinzenta resultantes do desenvolvimento cerebral atípico.
Estudo
Uma equipe internacional de pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Sevilha, na Espanha, analisou as alterações no córtex cerebral de pessoas com psicose. Os resultados mostraram que a psicose não segue uma trajetória única, mas sim que sua evolução depende de uma interação complexa entre o desenvolvimento cerebral, os sintomas, a cognição e o tratamento.
Os pesquisadores analisaram dados de ressonância magnética, dados cognitivos e sintomáticos de 195 participantes controles saudáveis e 357 indivíduos com primeiro episódio psicótico (PEP) sem tratamento prévio ou com medicação mínima, que foram acompanhados por 1, 3, 5 e 10 anos após o primeiro episódio – totalizando 1209 exames de ressonância magnética e avaliações.
As imagens de ressonância magnética foram usadas para calcular o volume de diferentes regiões do córtex cerebral.
Um dos aspectos mais relevantes do estudo é que os participantes foram avaliados ao longo de dez anos, permitindo aos pesquisadores analisar como o cérebro se modifica em longo prazo e como essas mudanças se relacionam com os sintomas clínicos e o desempenho cognitivo — incluindo possíveis dificuldades de atenção, memória ou velocidade de processamento.
Ainda, os pesquisadores aplicaram, pela primeira vez, uma análise baseada em percentis. Assim como os percentis são usados em pediatria para identificar desvios de peso ou altura, eles agora podem ser usados para detectar se certas regiões cerebrais apresentam volumes atípicos.
O estudo foi liderado por Claudio Alemán Morillo, doutorando na Universidade de Sevilha, e pelo Dr. Rafael Romero García, professor e pesquisador do Laboratório de Neuroimagem e Redes Cerebrais da Universidade de Sevilha, e publicado na revista científica The British Journal of Psychiatry.
A complexa interação entre a psicopatologia e as trajetórias maturacionais heterogêneas dificulta a identificação de características neuroanatômicas que antecipem o declínio dos sintomas
Resultados
Os resultados do estudo mostraram que, no momento do primeiro episódio, pessoas com psicose apresentam uma redução no volume cortical, particularmente acentuada em regiões com alta densidade de receptores de serotonina e dopamina, neurotransmissores essenciais tanto na fisiopatologia da psicose quanto no mecanismo de ação dos antipsicóticos.
Além disso, os dados sugerem que não apenas os neurônios, mas também outras células cerebrais envolvidas em processos inflamatórios e imunológicos, podem desempenhar um papel importante na doença.
Durante o tratamento, essas diferenças estruturais tenderam a diminuir, indicando que a taxa de deterioração cerebral se reduz com a intervenção clínica.
No entanto, diferenças mais acentuadas persistem em pessoas que recebem doses mais elevadas de medicação antipsicótica ao longo do tempo. Isso não implica necessariamente que a medicação cause perda de volume, mas sim que aqueles com sintomas mais graves frequentemente necessitam de doses mais altas.
O estudo também confirmou que esses pacientes apresentam comprometimento cognitivo desde estágios muito precoces. Ao longo do período de acompanhamento, muitas pessoas experimentam melhora tanto nos sintomas quanto na cognição, sugerindo que a estabilização clínica pode ser acompanhada por uma recuperação parcial dessas funções. Contudo, essa melhora é menos pronunciada naqueles que necessitam de doses mais altas de medicação.
Os percentis do primeiro episódio psicótico (PEP) demonstraram uma redução generalizada no início do tratamento, com a análise longitudinal mostrando um aumento durante o período de tratamento, indicando convergência para trajetórias de maturação normais. Curiosamente, esse efeito foi reduzido em indivíduos com alta dose de medicação. Além disso, descobrimos que os déficits cognitivos experimentados durante os estágios iniciais do PEP pioraram com o uso prolongado de medicação
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
Autores/Pesquisadores Citados
Instituições Citadas
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica The British Journal of Psychiatry (em inglês).
Mais Informações
Acesse a notícia original completa na página da Universidade de Sevilha (em espanhol).
Notícias relacionadas

Universidade de Waterloo

Universidade Federal do Rio Grande do Sul

