Com publicação científica
Café, demência e cognição
Estudo mostra que consumo de 2 a 3 xícaras de café por dia diminui risco de demência e melhora cognição
Consumo diário de cafeína, do café ou do chá, mostrou efeito neuroprotetor após análise de dados de dois grandes estudos realizados nos EUA

Farknot Architect via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
10 de fevereiro de 2026, 16:00
Fonte
Áreas
Ciência e Tecnologia de Alimentos, Envelhecimento, Epidemiologia, Medicina, Neurociências, Neurologia, Nutrição Clínica, Nutrição Funcional, Saúde Mental, Saúde do Idoso
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Café, demência e cognição
Atualmente, os tratamentos disponíveis para pessoas com demência são limitados, e não mudam significativamente os agravos produzidos pela doença. Neste sentido, a prevenção é fundamental.
Do ponto de vista nutricional, café e o chá contêm ingredientes bioativos, como polifenóis e cafeína, que podem ser fatores neuroprotetores, reduzindo a inflamação e os danos celulares e protegendo contra o declínio cognitivo.
Porém, as descobertas sobre a relação entre o consumo de café e a demência têm sido inconsistentes, seja por acompanhamento limitado ou detalhes insuficientes para capturar a influência de padrões de consumo em longo prazo com os resultados cognitivos.
Avanço: estudo prospectivo analisou grande quantidade de dados para concluir sobre os efeitos do café
Um novo estudo de coorte prospectivo analisou os dados de mais de 130 mil participantes de dois grandes estudos realizados nos EUA – Nurses’ Health Study e Health Professionals Follow-Up Study – para buscar a relação entre o consumo de cafeína e a cognição.
Os participantes foram submetidos a avaliações repetidas de dieta, demência, declínio cognitivo subjetivo e função cognitiva objetiva, e acompanhados por até 43 anos.
Os pesquisadores compararam como o café com cafeína, o chá e o café descafeinado influenciaram o risco de demência e a saúde cognitiva de cada participante.
O estudo foi conduzido por cientistas do hospital Massachusetts General Brigham, da Escola de Saúde Pública de Harvard e do Instituto Broad do MIT e Harvard e publicado na revista científica JAMA.
Resultados: o poder da cafeína
Dos participantes, mais de 11 mil desenvolveram demência. Tanto participantes do sexo masculino quanto do sexo feminino com maior consumo de café com cafeína apresentaram um risco 18% menor de demência em comparação com aqueles que relataram pouco ou nenhum consumo de café com cafeína.
Os consumidores de café com cafeína também apresentaram menor prevalência de declínio cognitivo subjetivo (7,8% versus 9,5%) e melhor desempenho em testes objetivos de função cognitiva geral.
O consumo de chá teve resultados semelhantes ao consumo de café, ambos superiores aos resultados do consumo de café descafeinado, o que sugere que o fator ativo responsável por esses resultados neuroprotetores seja a cafeína.
Em relação às quantidades consumidas, os benefícios cognitivos foram mais pronunciados para os participantes que consumiram de 2 a 3 xícaras de café com cafeína ou de 1 a 2 xícaras de chá diariamente.
Contrariamente a diversos estudos anteriores, uma ingestão maior de cafeína não apresentou efeitos negativos; pelo contrário, proporcionou benefícios neuroprotetores semelhantes à dosagem ideal.
O Dr. Daniel Wang, cientista do Departamento de Medicina do Massachusetts General Brigham, professor da Escola Médica de Harvard e autor sênior do estudo, destacou que o efeito é pequeno e que existem muitas maneiras importantes de proteger a função cognitiva, mas que, de qualquer modo, o consumo de café ou chá com cafeína pode contribuir nesse cenário.
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Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
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