Com publicação científica

Giovanni Cancemi via Shutterstock
Ilustração 3D de vacina experimental contra o câncer
Por Redação SciAdvances
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Vacinas de mRNA induzem as próprias células do corpo a produzirem um antígeno específico, ativando o sistema imunológico para reconhecer e combater a ameaça real.
Este tipo de vacina já é uma realidade, tendo sido aplicado com sucesso durante a pandemia de COVID-19.
Agora, um desafio que tem sido enfrentado por cientistas é aplicar essa tecnologia de vacinas para produzir respostas imunológicas intensas contra diversos tipos de cânceres.
Recentemente, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, conseguiram melhorar a resposta das células T às vacinas de mRNA, o que pode ajudar no desenvolvimento de vacinas mais potentes contra o câncer e doenças infecciosas.
No estudo, publicado na revista científica Nature Biotechnology, os pesquisadores incluíram na vacina, como adjuvante, moléculas de mRNA que codificam genes que ativam vias de sinalização imunológica, promovendo uma resposta superpotente das células T.
Em estudos com camundongos, a nova composição da vacina apresentou resultados relevantes, tanto quando foi administrada isoladamente quanto em conjunto com antígeno tumoral. O mesmo adjuvante também potencializou a resposta das células T às vacinas contra influenza e Covid-19.
O Dr. Daniel Anderson, professor do Departamento de Engenharia Química do MIT e coautor sênior do estudo, explicou que, com a adição do adjuvante, o número de células T direcionadas ao antígeno aumenta substancialmente, melhorando a resposta imune, destruindo células cancerosas ou eliminando células infectadas por vírus.
O estudo, liderado por pesquisadores do Departamento de Engenharia Química do MIT e do Instituto Koch para Pesquisa Integrativa de Câncer do MIT, também teve a participação de cientistas do Hospital Geral de Massachusetts, Massachusetts General Brigham e da Escola Médica de Harvard.
O encapsulamento do mRNA em nanopartículas lipídicas específicas viabiliza sua entrega ao baço após a injeção intravenosa. No baço, a ação da vacina tem início com a maturação e a ativação de células dendríticas. Em até uma semana, a população de células T aumenta e, em conjunto com outras células imunológicas, pode então reconhecer e atacar tumores.
Com essa estratégia, os pesquisadores testaram a vacina adjuvada em diversos modelos de câncer em camundongos, incluindo um câncer de bexiga agressivo, carcinoma de cólon, melanoma e câncer de pulmão metastático.
Em quase todos os animais, o mRNA injetado estimulou uma forte resposta das células T, o que reduziu significativamente o crescimento tumoral e, em muitos casos, erradicou completamente os tumores.
Isso ocorreu mesmo quando os camundongos não receberam uma vacina contra um antígeno específico do câncer. Quando receberam, a resposta foi ainda mais forte.
Os pesquisadores também destacaram que a vacina de mRNA com o novo adjuvante também pode potencializar a ação de imunoterapias.
Agora, os pesquisadores pretendem testar essa abordagem em outros modelos animais, na esperança de desenvolver a tecnologia para o tratamento de cânceres e também de doenças infecciosas.
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Publicação
Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
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