Com publicação científica

Vink Fan via Shutterstock
Ilustração 3D de célula cancerígena
Por Redação SciAdvances
Fonte
Áreas
Compartilhar
Um dos maiores desafios nos casos em que a quimioterapia tem resultados limitados no tratamento do câncer é a chamada ‘resistência a múltiplos fármacos’.
Um dos principais mecanismos por trás da multirresistência das células cancerígenas é a superexpressão da glicoproteína P, um agente que consegue ‘expulsar’ boa parte do medicamento quimioterápico antes que tenha efeito terapêutico.
Neste sentido, algumas pesquisas já tentaram administrar simultaneamente inibidores da glicoproteína P e fármacos anticancerígenos, em tentativas de desligar a ‘proteção’ das células cancerígenas antes da ação do medicamento. Mas os resultados têm alcançado eficácia limitada.
Pesquisadores conseguiram desenvolver nanopartículas que primeiro desativam o mecanismo de expulsão de fármacos das células cancerígenas para só depois liberar o medicamento anticâncer.
Ao combinar essa abordagem sequencial de administração de fármacos com terapia fototérmica – usando luz laser infravermelha próxima para aquecer e destruir o tumor -, foi alcançada a eliminação completa do tumor e 100% de sobrevivência em um modelo animal de câncer resistente a medicamentos, sem toxicidade detectável em tecidos normais.
O avanço foi liderado por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e da Universidade de Estrasburgo, na França, em uma colaboração internacional com colegas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão (JAIST) e da Universidade Tohoku, no Japão. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Controlled Release.
Segundo o Dr. Eijiro Miyako, professor da Universidade Tohoku e um dos coautores sêniores do estudo, o mecanismo de liberação sequencial exclusivo foi desenvolvido com foco no aumento da eficácia do tratamento, inibindo a ação da glicoproteína P, que potencialmente expulsa o fármaco, antes da liberação do medicamento sobre as células cancerígenas.
A equipe de pesquisa desenvolveu nanopartículas porosas a partir de aminoácidos e materiais biocompatíveis que são capazes de conter o medicamento anticancerígeno doxorrubicina e também a quinidina, um inibidor da glicoproteína P.
Com a inibição da glicoproteína P, as nanopartículas podem então realizar a liberação controlada e sequencial do medicamento e ativar a terapia fototérmica, direcionada especificamente ao tumor.
Em testes in vitro, os pesquisadores observaram resultados que superaram significativamente a eficácia da quimioterapia ou da terapia fototérmica isoladamente.
Quando aplicaram a tecnologia de nanopartículas em camundongos com tumores, também foi observada regressão tumoral completa. Nos animais que receberam apenas a terapia fototérmica isolada, foi alcançada apenas a regressão transitória seguida de recorrência.
Segundo os pesquisadores, a nova tecnologia oferece uma estratégia nova e escalável para restaurar a sensibilidade à quimioterapia em tumores que deixaram de responder ao tratamento.
Publicidade
Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Publicidade
Outros avanços

Universidade de Illinois em Urbana-Champaign

Universidade Federal do Ceará

