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Por Redação SciAdvances
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Devido às mudanças climáticas, eventos meteorológicos extremos – como tempestades intensas, calor extremo e inundações de grandes áreas – têm sido cada vez mais frequentes.
Neste cenário, a modelagem climática e a previsão meteorológica precisas, aliadas a sistemas de alerta precoce, são fundamentais para ajudar a evitar desastres futuros.
Os modelos globais de resolução de tempestades estão entre as ferramentas numéricas mais avançadas para essa tarefa: além de simular a distribuição global de nuvens e tempestades, observam como sistemas atmosféricos e energéticos interagem e influenciam uns aos outros.
O principal desafio destes modelos é resolver explicitamente a convecção profunda – os movimentos verticais que geram nuvens de tempestade, como as Cumulonimbus – e a dinâmica de sistemas meteorológicos de mesoescala, com uma precisão cada vez maior.
Mas os modelos globais de resolução de tempestades atuais usam resoluções que vão de um a dez quilômetros, o que pode introduzir distorções nas simulações, tornando-as incompatíveis com a realidade observada posteriormente.
Um novo modelo meteorológico global, desenvolvido por cientistas da Universidade de Tóquio, no Japão, alcançou uma definição de 220 metros, eliminando os efeitos de rajadas de chuva intensa que aparecem em simulações com modelos anteriores, mas que não existem na realidade.
O novo modelo permite previsões mais precisas de fenômenos meteorológicos extremos em nível local a partir de um modelo global.
Segundo o Dr. Shuhei Matsugishi, pesquisador do Instituto de Pesquisa da Atmosfera e do Oceano da Universidade de Tóquio e primeiro autor do estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, a nova resolução permite representar melhor a estrutura interna das nuvens convectivas e estudar como elas interagem entre si e com a circulação atmosférica em maior escala.
Com a nova resolução, o modelo conseguiu eliminar um erro recorrente e consistente nos modelos de resolução global de tempestades atuais: a chamada ‘chuva tipo pipoca’. Esse erro ocorre quando o modelo apresenta rajadas intensas de chuva que, na realidade, não acontecem. Com o novo modelo, as precipitações são mais realistas.
Mas existe um grande desafio: o altíssimo custo computacional. Para realizar uma simulação com quase 1 trilhão de pontos de grade tridimensionais ao redor do globo, durante um período de oito horas, a energia consumida pelo supercomputador usado equivale aproximadamente ao consumo de eletricidade de uma residência média no Japão ao longo de 40 anos.
Além do custo, erros relacionados à distribuição da cobertura de nuvens ainda persistem, o que aponta a necessidade de melhorar a compreensão sobre os processos envolvidos.
Mesmo que a simulação global com resolução de 220 metros ainda seja inviável para ser usada na previsão do tempo, os pesquisadores esperam que as próximas pesquisas consigam reduzir a carga computacional ao mesmo tempo que incorporem avanços na modelagem matemática dos processos de turbulência, microfísica de nuvens e outros processos que ainda não estão completamente compreendidos.
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