
Matti Ahlgren e Mikko Raskinen, Universidade Aalto
Pulsos magnéticos precisam ser direcionados corretamente para o local alvo.
Por Redação SciAdvances
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão em todo o mundo, ou cerca de 4% da população mundial. A condição debilitante, que afeta diretamente a qualidade de vida, pode melhorar por si ou com a ajuda de terapia, mas, frequentemente, é necessária medicação.
Dependendo do nível da depressão, o tratamento farmacológico nem sempre é eficaz, e pode ser atingida uma condição de resistência à medicação, quando os remédios praticamente não fazem mais efeito. Nesses casos, uma opção de tratamento é a estimulação magnética transcraniana (EMT), um recurso tecnológico não invasivo que utiliza pulsos magnéticos para estimular áreas específicas do cérebro.
Na EMT, uma bobina magnética é posicionada sobre a superfície da cabeça do paciente e produz um campo magnético de variação rápida, que atravessa o crânio e gera uma corrente elétrica fraca no córtex cerebral, que por sua vez ativa neurônios. No tratamento da depressão, o alvo é o lobo frontal.
Ultimamente, equipes de pesquisa têm avançado no propósito de melhorar os resultados terapêuticos da tecnologia EMT, além de torná-la mais acessível e disponível para um número maior de pessoas.
Grupo de pesquisa na Universidade Aalto tem avançado na tecnologia EMT com foco na depressão
Na Universidade Aalto, na Finlândia, um grupo de pesquisa tem trabalhado incessantemente nos últimos anos para o aperfeiçoamento da tecnologia EMT como recurso terapêutico contra a depressão.
A equipe de pesquisa reúne especialistas em física médica, neurociência, ciência cognitiva, medicina, eletrônica, estatística e matemática, com foco em tornar a tecnologia mais eficaz, mais rápida, mais personalizada e com menor custo.
Posicionamento do equipamento é importante, dependendo das características individuais do paciente
Uma das dificuldades iniciais da aplicação da tecnologia EMT em casos de depressão é justamente definir a melhor posição do equipamento para a emissão dos pulsos magnéticos.
Na Universidade Aalto, a pesquisadora de doutorado Ida Granö trabalha com colegas no desenvolvimento e otimização de sistemas automatizados que consigam definir a localização, direção, intensidade e o momento dos pulsos de EMT durante o tratamento, com base nas características cerebrais de cada indivíduo acessadas através de um eletroencefalograma (EEG).
Pesquisador brasileiro também faz parte da equipe
Um dos pesquisadores que também participa das pesquisas com EMT aplicada à depressão na Universidade Aalto é o Dr. Victor Souza, que desenvolve seu pós-doutorado e é formado em Física Médica pela Universidade de São Paulo (USP), onde também concluiu seu mestrado e doutorado.
O Dr. Victor tem trabalhado em um dispositivo de EMT de nova geração, composto por cinco bobinas posicionadas sobrepostas umas às outras. O software de navegação desenvolvido pelo pesquisador brasileiro anteriormente ainda é usado nas pesquisas do grupo.
Tecnologia com cinco bobinas é inovadora
Segundo o pesquisador, o dispositivo desenvolvido na Universidade Aalto é o único sistema de múltiplas bobinas no mundo que já demonstrou eficácia tanto no mapeamento cerebral quanto em pesquisas neurofisiológicas complexas. Como referência, o Dr. Victor destacou que os dispositivos comerciais utilizados em tratamentos por EMT ainda são, em sua maioria, sistemas de bobina única.
Um algoritmo desenvolvido pela equipe de pesquisa, incorporado ao dispositivo EMT de múltiplas bobinas, altera automaticamente a origem dos pulsos com extrema precisão, com a ajuda de um braço robótico.
Versão comercial pode estar disponível em 2027
O Dr. Victor Souza afirmou que startup Cortisys – da qual ele é cofundador e também diretor de tecnologia (CTO) – deve comercializar o novo equipamento a partir de 2027.
Os pesquisadores esperam que a tecnologia possa se tornar um tratamento de primeira linha para a depressão, em vez de ser utilizada apenas após outros tratamentos terem se mostrado ineficazes.
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