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Resumo
Cientistas identificaram uma molécula experimental que pode reduzir a gravidade e atrasar o aparecimento da ataxia espinocerebelosa tipo 3, também conhecida como doença de Machado-Joseph.
A doença de Machado-Joseph é uma doença neurológica rara, hereditária e degenerativa, para a qual ainda não existe cura nem terapia eficaz. É causada por uma alteração no gene ATXN3, que produz uma proteína importante para manter as células saudáveis, a ataxina-3.
Em uma condição fisiológica, a ataxina-3 encontra-se dispersa pela célula, mas quando o gene ATXN3 sofre uma expansão em uma região repetitiva, a proteína produzida retém uma longa repetição de um único aminoácido, a glutamina, o que a torna mais propensa a formar aglomerados que se acumulam dentro das células, especialmente em certas áreas do cérebro e da medula espinhal. Esses aglomerados tornam-se tóxicos e causam os sintomas provocados pela doença: dificuldade e perda de movimento, espasmos, desequilíbrio, dificuldade para falar, mastigar e mover os olhos.
Embora não exista consenso sobre a origem exata da neurotoxicidade, vários modelos celulares e animais mostram que é esta acumulação anômala da proteína ataxina-3 que contribui para a degeneração neuronal na doença de Machado-Joseph. Impedir a formação dos aglomerados tóxicos nas células constitui uma das estratégias em desenvolvimento para encontrar terapias para esta doença.
No estudo, publicado na revista Advanced Science, os pesquisadores exploraram um composto chamado CLR01, que atua como uma espécie de ‘pinça molecular’ e tem sido descrito como um inibidor de largo espectro da acumulação anormal de proteínas, um fenômeno comum em diversas doenças neurodegenerativas.
De acordo com a Dra. Sandra de Macedo Ribeiro, pesquisadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, em Portugal, e uma das autoras sêniores do estudo, “os resultados foram bastante encorajadores, pois mostraram que o CLR01 não só conseguiu reduzir a formação de aglomerados da proteína ataxina-3, mas também desintegrá-los, oferecendo esperança para futuros tratamentos”.
De acordo com a pesquisadora, “o mais interessante neste estudo foi a descoberta do local onde o composto CLR01 se liga à proteína ataxina-3. Esse novo local de ligação situa-se numa região da proteína bem distante da região envolvida na formação dos aglomerados”.
“Ao ligar-se a esta nova zona alvo da proteína ataxina-3, o composto CLR01 reduz a tendência desta proteína para formar depósitos nocivos, sem prejudicar a sua função normal nas células do sistema nervoso e surge, assim, pela primeira vez, com um forte potencial para futuro desenvolvimento de novas terapias para a doença de Machado-Joseph”, concluiu a Dra. Sandra Ribeiro.
Embora ainda estejam longe de testes em humanos, os pesquisadores consideram que a descoberta representa um avanço significativo na procura de tratamentos eficazes para a doença de Machado-Joseph.
Participaram do estudo cientistas da Universidade do Porto, da Universidade de Coimbra e da Universidade do Minho, em Portugal; da Universidade Técnica de Dortmund e da Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha; do King’s College London (KCL), no Reino Unido, e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos EUA.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a revista científica Advanced Science (em inglês).
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Acesse a notícia original completa na página da Universidade do Porto.
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