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Por Redação SciAdvances
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A ciência sabe como é a reação cerebral a evento imprevisível depois que ele acontece. No entanto, como o cérebro se organiza para reagir antes que algo inesperado aconteça ainda não é totalmente compreendido.
Conhecer os detalhes da preparação da mente humana para enfrentar situações inesperadas, que trazem incertezas, pode ajudar a compreender melhor a comunicação entre diferentes regiões cerebrais e avançar na ciência de doenças neurodegenerativas, por exemplo.
Um novo estudo internacional revelou o mecanismo que o cérebro utiliza para se preparar antes que algo imprevisível aconteça. Publicado na revista científica Nature Neuroscience, o estudo envolveu cientistas de treze instituições da Espanha, Suíça, Alemanha, Reino Unido, EUA e China.
Segundo os cientistas, o hipocampo cerebral funciona como um ‘radar’, ou um sistema de alerta precoce, emitindo sinais ultrarrápidos de atividade elétrica na forma de oscilações de alta frequência, que atuam como um filtro estratégico para o córtex visual.
Para a pesquisa, foi desenvolvido um experimento em que participaram dezoito pacientes com epilepsia refratária a medicamentos em fase pré-cirúrgica.
Para acessar as respostas cerebrais em tempo real, os pesquisadores utilizaram registros intracranianos diretos, por meio de eletrodos implantados, para medir simultaneamente a atividade elétrica no hipocampo e no córtex visual dos participantes.
O Dr. Bryan Strange, diretor do Laboratório de Neurociência Clínica da Universidade Politécnica de Madri e coautor sênior do estudo, explicou que os participantes da pesquisa visualizaram uma série de imagens com padrões visuais, algumas das quais de natureza caótica e que induziam a alta incerteza.
A análise dos dados revelou que o cérebro segue um roteiro: primeiro, a detecção do ‘caos’. Depois, a emissão de ondas para o córtex visual, que elimina ruídos e permite que o cérebro otimize seu desempenho. Finalmente, a reação, de modo muito mais rápido, intenso e eficiente que o habitual.
Segundo o Dr. Bryan Strange, o estudo demonstrou, nos seres humanos, que esses sinais oscilatórios de alta frequência desempenham um papel preditivo e voltado para a sobrevivência: são elas que ajudam na previsão de eventos e enfrentamento das incertezas.
Para os cientistas, a descoberta melhora a compreensão da mente humana e pode ter um grande potencial clínico no futuro.
De acordo com os pesquisadores, esses sinais poderiam servir como biomarcador para o diagnóstico precoce de transtornos neurológicos ou psiquiátricos caracterizados por problemas de comunicação entre o hipocampo e o córtex, como na doença de Alzheimer, esquizofrenia ou epilepsia.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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