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Por Redação SciAdvances
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Atualmente, a maioria dos produtos químicos — incluindo plásticos, têxteis e matérias-primas farmacêuticas — é derivada do petróleo. Mas, motivada pelas preocupações ambientais, a biofabricação – que utiliza microrganismos para produzir substâncias químicas – está surgindo como uma alternativa tecnológica para a fabricação de próxima geração.
Ainda assim, escalar tecnologias desenvolvidas em laboratório para uma produção em massa economicamente viável em fábricas reais continua sendo um grande desafio.
A engenharia metabólica é uma das áreas que está tentando vencer esse desafio, com o projeto e otimização de vias metabólicas microbianas que consigam viabilizar ‘fábricas celulares microbianas’, capazes de produzir as substâncias químicas desejadas.
Mas muitas vezes a alta produtividade em laboratório não consegue ser transferida para a produção industrial: a produtividade cai, os custos de produção aumentam e a solução perde competitividade e fracassa.
Em um novo estudo publicado recentemente na revista científica Nature Communications, pesquisadores do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Coreia (KAIST), na Coreia do Sul, propuseram uma estratégia de industrialização impulsionada por inteligência artificial (IA) para o desenvolvimento de biofábricas.
Os pesquisadores realizaram uma análise abrangente dos principais pontos críticos para a comercialização de produtos oriundos da biofabricação e propuseram uma estratégia e um roteiro para o crescimento futuro, visando superar esses obstáculos.
A equipe de pesquisa analisou o ácido succínico (uma matéria-prima química de origem biológica fundamental para a produção de plásticos ecológicos e diversos materiais químicos) e o polihidroxialcanoato (o PHA, um plástico biodegradável) como casos representativos que ilustram essa dificuldade de levar uma tecnologia do laboratório até o mercado.
A equipe previu que a IA será fundamental para a industrialização da biofabricação daqui em diante, principalmente na otimização de processos, incluindo desde o design de enzimas e microrganismos até o uso de gêmeos digitais para simular processos produtivos e tecnologias que equilibram viabilidade econômica e impacto ambiental.
Os pesquisadores explicaram que isso pode reduzir os prazos de desenvolvimento e os custos de produção, além de aumentar as chances de uma comercialização bem-sucedida.
O estudo sugere que a análise técnico-econômica e a avaliação do ciclo de vida sejam aplicadas como critérios de projeto desde as fases iniciais da pesquisa.
Outro ponto importante para a biofabricação é a resiliência da cadeia de suprimentos, levando em conta a disponibilidade de matérias-primas e as mudanças no cenário internacional.
De acordo com os pesquisadores, uma contribuição importante do estudo é a apresentação de um roteiro de industrialização que abrange todo o ciclo, desde a obtenção de matérias-primas até o design microbiano, a fermentação, a separação e purificação, e a entrada no mercado.
Os cientistas esperam que o estudo acelere a comercialização na indústria química de base biológica e, em longo prazo, contribua para a transição entre uma indústria química centrada no petróleo para uma bioeconomia ecologicamente sustentável.
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