
Fonte
Universidade Monash
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Resumo
Um estudo clínico randomizado realizado na Austrália com 104 sobreviventes de AVC isquêmico mostrou evidências promissoras de que um programa de exercícios cardiorrespiratórios pode preservar a capacidade cognitiva dos participantes.
Em relação à recuperação do volume cerebral, os pesquisadores não observaram diferenças significativas entre os participantes que praticaram exercícios aeróbicos ou aqueles que praticaram apenas um programa de equilíbrio e alongamento. Porém, nos dois casos, os resultados de volume cerebral foram melhores do que para os pacientes que não praticaram atividade alguma.
Em relação à preservação cognitiva, o desempenho cognitivo executivo e global aos 12 meses após o AVC foi melhor no grupo que executou os exercícios cardiorrespiratórios.
Foco do Estudo
Por que é importante?
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) aumenta o risco de demência, principalmente o AVC hemorrágico, mas também o AVC isquêmico.
Mas pacientes sobreviventes de um AVC não têm à disposição terapias para diminuir esse risco de demência.
Estudo
Pesquisadores desenvolveram um novo estudo para compreender os efeitos dos exercícios cardiorrespiratórios sobre a cognição e o volume cerebral em pacientes sobreviventes de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico.
O chamado ‘Estudo de Exercício Cardiovascular Pós-AVC Isquêmico: Intervenção Entregue por Zoom Contra o Declínio Cognitivo’ foi um estudo clínico randomizado de fase II b, cego para avaliadores, realizado em quatro serviços de saúde metropolitanos em Melbourne, na Austrália.
O estudo, publicado na revista científica JAMA Network Open, foi conduzido por pesquisadores da Universidade Monash, Universidade de Melbourne e da Universidade Católica Australiana em Melbourne, na Austrália, e também da Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), no Canadá, com apoio de colegas de outras instituições na Austrália.
O estudo clínico envolveu 104 sobreviventes de AVC isquêmico, que foram submetidos a um programa de exercícios cardiorrespiratórios (aeróbicos) de oito semanas ou a um programa de equilíbrio e alongamento iniciado dois meses após o AVC.
Os participantes retornaram para consultas de estudo aos 2, 4 e 12 meses após o AVC, quando foram realizados exames de imagem cerebral, testes cognitivos, de humor e de condicionamento físico. Os participantes também tiveram a pressão arterial monitorada por 24 horas e foram coletadas amostras de sangue e fezes para investigar os efeitos sobre o açúcar no sangue, inflamação, marcadores de degeneração cerebral e microbioma (composição bacteriana do intestino).
Cem participantes completaram as avaliações aos quatro meses e 97 pessoas aos 12 meses. A mediana de idade foi de 67 anos, com mais homens se voluntariando do que mulheres (64%). Não houve eventos adversos graves relacionados à intervenção.
O desenho do estudo é escalável e pode ser facilmente transformado em estudo de fase III. Mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de demência, com previsão de aumento para 152,8 milhões até 2050. Existe uma relação complexa entre fatores de risco vascular, inatividade física, acidente vascular cerebral e demência, e pelo menos 45% do risco de demência é modificável
Resultados
Os pesquisadores descobriram que os exercícios aeróbicos foram seguros e diminuíram a redução do volume cerebral, mas não preservaram o tamanho do hipocampo mais do que o controle de equilíbrio e alongamento. O hipocampo é uma estrutura cerebral crucial para a memória e navegação espacial.
“Tanto o grupo cardiorrespiratório quanto o de equilíbrio e alongamento perderam menos volume cerebral do que o observado em estudos anteriores, nos quais nenhuma intervenção foi oferecida”, disse a Dra. Amy Brodtmann, professora do Departamento de Neurociências da Escola de Medicina Translacional da Universidade Monash e primeira autora do estudo. “De fato, a alteração no volume cerebral foi comparável à observada em participantes saudáveis do grupo controle sem AVC, sugerindo que ambas as intervenções podem proteger o cérebro”, continuou a professora.
No entanto, houve evidências promissoras de preservação cognitiva: o desempenho cognitivo executivo e global aos 12 meses após o AVC foi melhor no grupo que executou os exercícios cardiorrespiratórios.
A professora Amy Brodtmann afirmou que o estudo abordou uma crescente necessidade não atendida de sobreviventes de AVC que querem impedir a diminuição do volume cerebral após o AVC e evitar a demência.
Nossos testes muito rigorosos com nossos participantes nos permitirão analisar esses efeitos em artigos subsequentes. Estou animada pelo fato de que ambas as intervenções pareceram preservar o volume cerebral e a cognição
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
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