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K321 e bonchan via Shutterstock
Arroz marrom e arroz verde
Por Redação SciAdvances
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O arroz alimenta mais da metade da população mundial, mas ainda não se conhece tudo sobre os nutrientes que contém.
Mais de 85% do arroz é composto de amido, mas o arroz também contém proteínas, pequenas quantidades de gordura, algumas vitaminas e oligoelementos.
Como os lipídios representam uma fração muito pequena do arroz – cerca de 2% – eles têm recebido relativamente pouca atenção em estudos científicos, apesar de desempenharem um papel importante na nutrição, no sabor e na qualidade do grão.
Entre toda a variedade de grãos produzida globalmente, o arroz japonica – também chamado de arroz sinica ou arroz japonês – representa cerca de 15% do consumo mundial de arroz, é caracterizado por grãos curtos e médios e, quando cozido, costuma ficar macio e com textura que facilita a aglutinação. Além disso, possui muitos cultivares diferentes, responsáveis por diferentes pigmentações, como preto, vermelho, marrom e verde.
Recentemente, pesquisadores da Universidade Hokkaido, no Japão, estudaram nutrientes de variedades de arroz japonica. Os pesquisadores coletaram e analisaram 56 cultivares de arroz japonica de todo o Japão, incluindo variedades marrom, vermelha, verde e preta.
O Dr. Siddabasave Gowda, professor da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Hokkaido, enfatizou que embora os lipídios estejam presentes no arroz em pequenas proporções, são cruciais para determinar seu valor nutricional. O professor também destacou que são os lipídios que ajudam a manter a integridade da membrana celular, armazenar energia e dar suporte a processos de sinalização essenciais no organismo.
Usando cromatografia líquida e espectrometria de massa, os pesquisadores identificaram 196 tipos diferentes de moléculas lipídicas pertencentes a cinco grupos principais em uma análise abrangente de variedades de arroz japonês.
A equipe também descobriu que as variedades coloridas de arroz japonês, particularmente o arroz preto e o arroz verde, têm um índice de promoção da saúde mais alto devido à sua composição lipídica única.
Os pesquisadores identificaram lipídios potencialmente benéficos, incluindo compostos conhecidos como FAHMFAs (ésteres de ácidos graxos de cadeia média hidroxilados) e LNAPEs (N-acil-lisofosfatidiletanolaminas).
Esses lipídios já foram associados a efeitos anti-inflamatórios e à melhora da saúde metabólica em certos sistemas biológicos. Esta é a primeira vez que FAHMFAs foram identificados no arroz.
O estudo também considerou como essas variedades de arroz pigmentado afetam a glicemia. Em laboratório, amostras selecionadas de arroz foram cozidas e expostas a enzimas digestivas para medir a velocidade de decomposição do amido, uma maneira de ter ideia de como se comportaria a curva glicêmica após uma refeição.
O arroz japonica preto e o arroz verde apresentaram uma decomposição mais lenta do amido em comparação com o arroz branco comum, o que pode ser interessante para reduzir picos de glicemia depois das refeições.
Com o estudo, os pesquisadores reforçaram a linha de pesquisa sobre a caracterização de lipídios bioativos até então desconhecidos, utilizando técnicas analíticas avançadas.
O professor Siddabasave Gowda espera que as descobertas apoiem novos produtos funcionais desenvolvidos a partir do arroz pigmentado.
As descobertas foram publicadas na revista científica Food Research International.
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