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Divulgação, Universidade da Pensilvânia
Por Redação SciAdvances
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Apesar de todo o seu potencial biológico, os fungos têm sido pouco utilizados no desenvolvimento de novos fármacos contra o câncer.
Isso se explica pela dificuldade de descobrir novos compostos anticâncer em fungos, já que mais de 90% dos genes fúngicos que produzem moléculas terapêuticas passam desapercebidos, ou ficam ‘silenciosos’, em laboratório.
Neste cenário, mesmo ferramentas de edição genética modernas enfrentam desafios para conseguir isolar compostos naturais que poderiam ter alto potencial anticancerígeno, principalmente em fungos filamentosos.
Pesquisadores da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas da Universidade da Pensilvânia (UPenn), nos EUA, desenvolveram uma nova ferramenta de edição genômica específica para acessar a arquitetura genética de fungos filamentosos – como o Aspergillus ou o Penicillium.- que são fontes ricas de compostos naturais contra várias doenças.
O Dr. Chunxiao Sun, pesquisador de pós-doutorado na UPenn e primeiro autor do estudo, explicou que foram isoladas 18 moléculas complexas distintas, oito das quais apresentavam estruturas químicas totalmente novas para a ciência.
Dessas oito moléculas, três exibiram propriedades anticancerígenas promissoras, e potencialmente poderiam servir como compostos-líderes no desenvolvimento de novos fármacos.
O pesquisador destacou também que uma das novas moléculas demonstrou toxicidade seletiva contra células de câncer de mama e de fígado, bem como contra células de leucemia, em humanos.
Segundo os pesquisadores, aplicar a técnica de edição genética CRISPR-Cas9 a fungos filamentosos pode resultar em mutações não intencionais. Uma solução para este problema seria aplicar a técnica mais recente chamada prime editing. Mas não é simples aplicá-la a fungos.
Para contornar essas dificuldades, os cientistas incluíram duas novas proteínas na técnica prime editing, resultando em uma nova plataforma – chamada fPE7max – que alcança uma eficiência de edição próxima a 90% em fungos filamentosos. E foi com esta nova plataforma que os cientistas conseguiram descobrir compostos até então desconhecidos.
Com a plataforma, os cientistas conseguiram ativar agrupamentos gênicos silenciosos em diversas espécies de fungos, identificando moléculas com propriedades anticancerígenas promissoras.
Segundo a Dra. Xue Gao, professora e pesquisadora sênior da UPenn que liderou a pesquisa, os resultados da pesquisa mostraram uma prova de conceito de que a próxima geração de terapias capazes de salvar pessoas com câncer pode já existir na natureza.
Agora, a equipe de pesquisa pretende aplicar a plataforma a mais espécies de fungos, a fim de continuar a busca por novos compostos naturais anticâncer.
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Acesse a página do Laboratório da Dra. Xue Gao na Universidade da Pensilvânia (em inglês).
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