Com publicação científica
Recidiva do câncer de mama
Detecção de DNA tumoral em exame de sangue revela sinais precoces de recidiva do câncer de mama
Método conseguiu identificar pacientes com alto risco de recidiva bem antes dos sintomas

LightField Studios via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
30 de maio de 2026, 12:01
Fonte
Áreas
Análises Clínicas, Biologia, Biomedicina, Biotecnologia, Cirurgia, Epidemiologia, Estudo Clínico, Genética, Hematologia, Medicina, Oncologia, Patologia, Quimioterapia
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Recidiva do câncer de mama
Atualmente, a recidiva do câncer de mama geralmente só é detectada quando os tumores se tornam visíveis por meio de exames de imagem ou começam a causar sintomas.
Essa detecção tardia impede que sejam adotadas estratégias precoces para combater o tumor ou mesmo prolongar a sobrevida.
Um dos grandes desafios científicos tem sido conseguir identificar alguma manifestação que indique o início da recorrência do câncer, em tempo hábil para otimizar o tratamento e conduzir a desfechos melhores.
Avanço: detecção do DNA tumoral circulante de modo preciso pode ajudar a identificar potencial recidiva
Pesquisadores da Universidade Lund, na Suécia, desenvolveram um exame de sangue capaz de detectar precocemente sinais de recidiva do câncer de mama, antes que o tumor se torne visível em exames de imagem ou cause sintomas.
Segundo os pesquisadores, a persistência de DNA tumoral circulante na corrente sanguínea durante o tratamento do câncer de mama inicial indica doença de alto risco. Da mesma forma, a detecção do DNA circulante após a cirurgia indica doença residual molecular e recidiva iminente.
Com este conhecimento, os pesquisadores desenvolveram um novo método que consegue detectar quantidades extremamente pequenas de DNA tumoral em amostras de sangue com altíssima precisão e especificidade.
O Dr. Lao Saal, professor e pesquisador de oncogenômica translacional da Universidade Lund e autor sênior do estudo, destacou que o método mede com confiabilidade pequenos fragmentos de DNA tumoral, fornecendo informações precoces sobre como o câncer responde à quimioterapia antes da cirurgia, além de indicar se a doença pode retornar após a cirurgia.
Para testar o método, foi realizado um estudo clínico que incluiu 136 participantes tratadas com quimioterapia e cirurgia para diferentes tipos de câncer de mama. Amostras de sangue foram coletadas no momento do diagnóstico, durante o tratamento, logo após a cirurgia e, em seguida, regularmente durante o acompanhamento por até seis anos.
Com a patente do novo método, os pesquisadores iniciaram uma startup, que foi recentemente adquirida pela Roche.
O estudo foi publicado na revista científica EMBO Molecular Medicine.
Resultados do estudo clínico mostraram eficácia e precisão na detecção de recidiva
Em pacientes que posteriormente desenvolveram metástase, o exame de sangue detectou sinais de recidiva através da presença de DNA tumoral em média 13,8 meses antes da recaída se tornar clinicamente visível e, em alguns casos, quase quatro anos antes que os métodos atuais detectassem a doença.
Após o estudo clínico, os pesquisadores constataram que o DNA tumoral pôde ser detectado no sangue de quase 90% das pacientes antes do início do tratamento.
Outro resultado importante foi que, em 13% das pacientes, os níveis de DNA tumoral não apresentaram redução significativa durante o tratamento, o que esteve fortemente associado a um alto risco de recidiva.
De modo geral, a tecnologia fornece informações menos detalhadas do que análises genéticas mais avançadas, mas oferece rapidez e menor custo. Os pesquisadores acreditam que a precisão do método é suficiente para medir a resposta ao tratamento e identificar pacientes que vão desenvolver recidiva clínica.
O Dr. Niklas Loman, oncologista sênior do Hospital Universitário de Skåne, na Suécia, e coautor do estudo, disse que o novo método pode mudar a forma como as pacientes com câncer de mama são monitoradas e tratadas no futuro, permitindo otimizar o tratamento de pacientes tanto com alto como com baixo risco de recorrência.
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