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Alex Mit via Shutterstock
Ilustração 3D de peri-implantite com recessão gengival visível
Por Redação SciAdvances
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Apesar da alta variabilidade, estima-se que entre 10% a 20% de pacientes que recebem implantes dentários acabam desenvolvendo infecção óssea agressiva na mandíbula, chamada peri-implantite.
A peri-implantite é iniciada pelas mesmas bactérias envolvidas na infecção em dentes naturais, a periodontite. Porém, na periodontite, antibióticos e limpeza de rotina costumam resolver a infecção.
Ao contrário, na peri-implantite, a taxa de sucesso de antibióticos – que geralmente são usados em conjunto com a descontaminação mecânica do implante – é baixa: os mesmos medicamentos contra as mesmas bactérias têm sucesso em menos da metade dos casos, enquanto a estrutura óssea continua se deteriorando.
Esta diferença no combate à infecção em casos de implante tem intrigado cientistas, e os mecanismos subjacentes continuavam desconhecidos, até então.
Um estudo liderado por pesquisadores da Escola de Medicina Dentária da Universidade Rutgers, nos EUA, avançou na compreensão sobre um mecanismo que potencialmente favorece a infecção em implantes dentários.
O Dr. Georgios Kotsakis, pesquisador da Universidade Rugers e autor sênior do estudo, destacou que o estudo esclareceu por que tratamentos com antibióticos que funcionam em dentes naturais não funcionam em implantes.
Os pesquisadores descobriram que as bactérias corroem os implantes, fazendo com que liberem partículas metálicas microscópicas no tecido circundante. Essas micropartículas metálicas prendem as células imunológicas enviadas para combater a infecção, forçando um estado inflamatório que destrói o osso da mandíbula que elas deveriam proteger.
Trabalhando com amostras de tecido humano, culturas de células imunológicas humanas e um modelo de camundongo geneticamente modificado, a equipe identificou que o mecanismo da peri-implantite envolve um canal de cálcio específico nas células do sistema imune que é ativado pelas micropartículas metálicas.
A bióloga brasileira Dra. Viviane Nascimento da Conceição, atualmente pesquisadora sênior no hospital UT Health San Antonio, nos EUA, também é coautora do estudo, publicado na revista científica PNAS Nexus.
Os pesquisadores descobriam que as bactérias na superfície do implante atacam, corroem e acabam liberando micropartículas do material do implante.
Então, essas micropartículas são revestidas por uma toxina bacteriana na gengiva, que os macrófagos do sistema imune tentam atacar, mas sem sucesso, por se tratarem de micropartículas metálicas.
Ao contrário, as micropartículas acabam ‘sequestrando’ as células imunes em um estado hiperinflamatório, que corrói a estrutura óssea e faz com que a ação do sistema imune seja ineficaz.
Os cientistas rastrearam a sequência de mecanismos até chegar a um canal de cálcio (chamado TRPC1) nos macrófagos. A desativação desse canal de cálcio em camundongos impediu o desenvolvimento da doença.
Agora, com o novo alvo terapêutico específico contra a peri-implantite, os pesquisadores estão testando medicamentos candidatos que têm como alvo essa via em células humanas.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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