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Por Redação SciAdvances
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Os alimentos ultraprocessados – formulações alimentares industriais que geralmente contém gorduras hidrogenadas e aditivos como corantes, aromatizantes e realçadores de sabor – são pobres em nutrientes e ricos em calorias, sódio e lipídios.
A comunidade científica já dispõe de muitos estudos que mostram que este tipo de alimento aumenta o risco de obesidade, doenças cardíacas, diabetes e câncer, além de várias outras doenças.
Porém, ainda há poucos estudos que relacionam o consumo de ultraprocessados com a saúde reprodutiva feminina. Como estes alimentos contêm produtos químicos que poderiam produzir alterações hormonais, há uma hipótese que seu consumo poderia estar ligado a problemas de fertilidade.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, mostrou que mulheres que consomem menos alimentos ultraprocessados têm maior probabilidade de engravidar, mesmo incluindo fatores como idade, peso, estilo de vida e outros aspectos da saúde.
O estudo analisou dados de mais de 2.500 mulheres que participaram da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), realizada nos EUA, que combinou entrevistas, registros alimentares de 24 horas e exames laboratoriais para coletar informações detalhadas sobre dieta, dados demográficos, estado de saúde e biomarcadores.
Os pesquisadores encontraram diferenças significativas nos padrões alimentares das mulheres que relataram infertilidade – definida como a ausência de concepção após um ano de tentativas – em relação àquelas sem problemas de fertilidade.
Em mulheres com infertilidade, os alimentos ultraprocessados constituíram até 31% da ingestão alimentar diária. Além disso, nestas mulheres foi observada uma adesão significativamente menor à dieta mediterrânea, um padrão alimentar mais saudável e rico em frutas e vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis.
Ainda que o estudo tenha sido transversal e, portanto, não possam ser tiradas conclusões de causa e efeito, os resultados podem ser significativos em nível populacional.
A Dra. Eurídice Martínez Steele, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), também é coautora do estudo.
Modelos ajustados mostraram que uma maior ingestão de alimentos ultraprocessados foi associada a uma redução de até 60% nas chances de engravidar.
Segundo a Dra. Anthea Christoforou, professora do Departamento de Cinesiologia da Universidade McMaster e autora principal do estudo, mesmo que a ingestão de nutrientes pareça adequada, consumir mais alimentos ultraprocessados significa maior exposição a aditivos e substâncias químicas que vão além das calorias.
Segundo os pesquisadores, substâncias químicas presentes nos ultraprocessados, como ftalatos, BPA e acrila, podem estar envolvidas por interferirem nos hormônios.
Os resultados, publicados na revista científica Nutrition and Health, reforçam a a importância da nutrição e da alimentação saudável especialmente para mulheres que querem engravidar.
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