Com publicação científica

Ultraprocessados e saúde reprodutiva
Consumo de alimentos ultraprocessados pode estar ligado à infertilidade
Estudo analisou dados de mais de 2.500 mulheres participantes de estudo nos EUA

Boiarkina Marina via Shutterstock

Por Redação SciAdvances

21 de março de 2026, 14:54

Fonte

Áreas

Biologia, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Educação Alimentar, Metabolismo, Microbiologia, Nutrição Clínica, Nutrição Funcional, Obesidade, Reprodução, Saúde da Mulher

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Ultraprocessados e saúde reprodutiva

Os alimentos ultraprocessados – formulações alimentares industriais que geralmente contém gorduras hidrogenadas e aditivos como corantes, aromatizantes e realçadores de sabor –  são pobres em nutrientes e ricos em calorias, sódio e lipídios.

A comunidade científica já dispõe de muitos estudos que mostram que este tipo de alimento aumenta o risco de obesidade, doenças cardíacas, diabetes e câncer, além de várias outras doenças.

Porém, ainda há poucos estudos que relacionam o consumo de ultraprocessados com a saúde reprodutiva feminina. Como estes alimentos contêm produtos químicos que poderiam produzir alterações hormonais, há uma hipótese que seu consumo poderia estar ligado a problemas de fertilidade.

Avanço: mesmo sem estabelecer relação de causa e efeito, estudo indica que consumo de alimentos ultraprocessados pode afetar fertilidade

Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade McMaster, no Canadá, mostrou que mulheres que consomem menos alimentos ultraprocessados ​​têm maior probabilidade de engravidar, mesmo incluindo fatores como idade, peso, estilo de vida e outros aspectos da saúde.

O estudo analisou dados de mais de 2.500 mulheres que participaram da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), realizada nos EUA, que combinou entrevistas, registros alimentares de 24 horas e exames laboratoriais para coletar informações detalhadas sobre dieta, dados demográficos, estado de saúde e biomarcadores.

Os pesquisadores encontraram diferenças significativas nos padrões alimentares das mulheres que relataram infertilidade – definida como a ausência de concepção após um ano de tentativas – em relação àquelas sem problemas de fertilidade.

Em mulheres com infertilidade, os alimentos ultraprocessados constituíram até 31% da ingestão alimentar diária. Além disso, nestas mulheres foi observada uma adesão significativamente menor à dieta mediterrânea, um padrão alimentar mais saudável e rico em frutas e vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis.

Ainda que o estudo tenha sido transversal e, portanto, não possam ser tiradas conclusões de causa e efeito, os resultados podem ser significativos em nível populacional.

A Dra. Eurídice Martínez Steele, pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), também é coautora do estudo.

Mais ultraprocessados, menos chances de engravidar

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Autores/Pesquisadores Citados

Professora do Departamento de Cinesiologia da Universidade McMaster
Pesquisadora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP)

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