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Homem com alergia a pólen
Por Redação SciAdvances
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A rinite alérgica causada pelo pólen de plantas, também conhecida como febre do feno, é uma resposta imunológica exagerada desencadeada pela liberação de histamina e outras substâncias químicas pelos mastócitos, células do sistema imune.
Essa liberação de histamina pelos mastócitos é ativada por um anticorpo conhecido como imunoglobulina E (IgE), produzido pelas células B, também do sistema imune, quando percebem o pólen.
Então, a rinite alérgica provoca congestão nasal, espirros, coriza, além de vermelhidão, lacrimejamento e coceira nos olhos.
Os tratamentos atuais, como anti-histamínicos ou corticosteroides, são basicamente sintomáticos, ou seja, visam apenas controlar os sintomas.
No Brasil, o pólen alergênico – proveniente de gramíneas, árvores e ervas daninhas – é mais fácil de ser encontrado na Região Sul e em cidades de serra.
Estudo identifica composto encontrado em bactérias de invertebrado marinho com potencial para produzir anticorpos da classe imunoglobulina A
O Dr. Naoki Morita, pesquisador do Laboratório de Imunologia e Controle de Infecções da Universidade de Tóquio, no Japão, está liderando uma pesquisa sobre uma nova abordagem para tratar a rinite alérgica por pólen: modificar a resposta do sistema imunológico ao pólen.
Os pesquisadores pretendem induzir as células imunes B a produzir anticorpos da classe imunoglobulina A (IgA), em vez de anticorpos da classe IgE, responsável por desencadear a resposta alérgica do organismo.
No sistema imune, são as citocinas que sinalizam para que células B possam produzir IgE, IgA ou outra classe de anticorpo de imunoglobulina. Então, os cientistas foram em busca de um composto químico capaz de direcionar a mudança de classe da imunoglobulina produzida de IgE para IgA.
Para isso, a equipe analisou cerca de 6.000 candidatos e identificou a briostatina 1, um composto natural produzido por bactérias encontradas no intestino de um invertebrado marinho chamado Bugula neritina.
Sucesso dos resultados iniciais deve motivar estudos clínicos
A briostatina 1 já foi testada em diversos estudos clínicos internacionais como um possível tratamento para câncer e doença de Alzheimer, e nenhum efeito colateral grave foi relatado até o momento.
Em experimentos com camundongos knock-in geneticamente modificados para serem alérgicos ao pólen de cedro, os pesquisadores da Universidade de Tóquio administraram briostatina 1, juntamente com antígenos de pólen, por via nasal.
O tratamento suprimiu a produção de IgE e aumentou os níveis de IgA, resultando em uma redução significativa dos sintomas da febre do feno, incluindo espirros e conjuntivite alérgica.
Posteriormente, a equipe confirmou os resultados em camundongos knock-in alérgicos ao pólen de ambrósia, sugerindo que o tratamento pode ser eficaz contra diferentes alérgenos.
Os pesquisadores também relataram que a briostatina 1 reduz sintomas de alergia alimentar em camundongos.
Como próximo passo, a equipe espera iniciar estudos clínicos em breve, em colaboração com parceiros internacionais.
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