Com publicação científica

Dr. Etienne Schmelzer, Universidade de Basileia
Microscopia de fluorescência de vasos sanguíneos (em verde) em um peixe-zebra, com as células sanguíneas em vermelho
Por Redação SciAdvances
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Nutrientes e oxigênio são levados a todos os tecidos do corpo através de uma extensa rede de vasos sanguíneos, de diferentes calibres, cuja biologia viabiliza a manutenção da vida.
O processo de organização celular para formação de vasos sanguíneos depende da criação de estruturas tubulares que contêm um lúmen contínuo, pelo qual o sangue poderá fluir posteriormente.
A ciência sabe que, durante o desenvolvimento vascular, as células endoteliais permanecem conectadas umas às outras por meio de junções célula-célula. Essas junções precisam ser estáveis o suficiente para manter a integridade da parede do vaso, ao mesmo tempo em que permitem a reorganização celular.
Mas a maneira como as células endoteliais alteram sua forma e coordenam precisamente seus movimentos durante esse processo de formação dos vasos sanguíneos ainda não é totalmente compreendida, o que tem despertado a atenção de grupos de pesquisa com foco na biologia da vascularização.
Recentemente, pesquisadores da Universidade de Basileia, na Suíça, e da Universidade Philipps de Marburg, na Alemanha, descobriram um mecanismo fundamental pelo qual as células se unem para construir novos vasos sanguíneos.
O estudo, publicado na revista científica eLife, revelou como forças mecânicas que puxam e empurram permitem que segmentos individuais de vasos se conectem e formem um vaso sanguíneo contínuo. Trata-se da primeira descrição detalhada de como as células endoteliais coordenam suas junções intercelulares.
Usando imagens de alta resolução em tempo real em peixes-zebra, os cientistas mostraram a sequência completa de eventos que permitem a junção de lúmens vizinhos em um vaso sanguíneo contínuo.
A descoberta melhora a compreensão do desenvolvimento vascular e fornecem uma base para o desenvolvimento de organoides vascularizados.
O Dr. Ludovico Maggi, pesquisador da Universidade de Basileia e primeiro autor do estudo, explicou que a formação dos vasos avança em ciclos repetidos que envolvem forças de empurrar e puxar, estendendo progressivamente o lúmen. Assim, segmentos inicialmente separados fundem-se para formar vasos sanguíneos com lúmens contínuos.
O Dr. Heinz-Georg Belting, professor da Universidade de Basileia e coautor sênior do estudo, destacou que a molécula VE-caderina desempenha duas funções distintas na formação dos vasos: atua como um tipo de adesivo, mantendo as células endoteliais unidas e preservando a estabilidade da parede do vaso, e também influencia no movimento celular.
O professor Heinz-Georg Belting explicou que os vasos sanguíneos acompanham o desenvolvimento de praticamente todos os órgãos. Compreender como os vasos sanguíneos se formam pode ajudar a compreender melhor a própria formação dos órgãos.
A expectativa dos pesquisadores é que as descobertas possam ajudar a desenvolver organoides e outros tecidos cultivados em laboratório com vasos sanguíneos funcionais, o que é fundamental para a medicina regenerativa.
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