Com publicação científica
Cérebro e exercícios
Atividade de neurônios hipotalâmicos potencializa benefícios dos exercícios físicos
Descoberta pode abrir caminho para terapias que simulam exercícios

PeopleImages via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
23 de fevereiro de 2026, 13:23
Fonte
Áreas
Biologia, Educação Física, Engenharia Biológica, Epidemiologia, Fisiatria, Fisiologia, Fisioterapia, Microbiologia, Neurociências, Neurologia, Ortopedia
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Cérebro e exercícios
O treinamento físico repetido traz benefícios para a saúde e faz parte de um estilo de vida saudável, causando impacto nos sistemas musculoesquelético, cardiovascular, metabólico e endócrino.
Mas como o cérebro comanda e pode potencializar os efeitos dos exercícios ainda permanece em boa parte desconhecido pela ciência.
Ultimamente, pesquisadores têm trabalhado para esclarecer como o cérebro pode afetar a qualidade dos resultados alcançados pelos exercícios físicos, bem como aumentar a resistência e os limites dos praticantes.
Avanço: região cerebral colabora com o sistema musculoesquelético para a obtenção de benefícios com os exercícios físicos
O Dr. Nicholas Betley, professor da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, liderou uma pesquisa que mostrou que o aumento de resistência com a prática de exercícios físicos repetidos depende da atividade neuronal no hipotálamo ventromedial, uma região cerebral importante por controlar, por exemplo, o consumo de alimentos, o equilíbrio energético e a temperatura corporal.
O estudo, publicado na revista científica Neuron, sugere que o treinamento físico por si só não é suficiente para desenvolver resistência, mudando o paradigma de que os resultados dos exercícios são uma simples questão de esforço físico para uma nova visão que destaca a importância da colaboração entre neurônios e músculos.
Basicamente, o professor Nicholas Betley destacou que, sem essa atividade do cérebro, o corpo não consegue se fortalecer efetivamente com o exercício: em camundongos, os pesquisadores descobriram que a ativação do sistema nervoso central após o exercício é essencial para o desempenho de resistência e para os benefícios metabólicos.
Testes com animais mostraram a importância do hipotálamo ventromedial
Em testes com animais, os cientistas se concentraram nos neurônios do fator esteroidogênico-1 (SF1) do hipotálamo ventromedial.
Quando a atividade desses neurônios foi bloqueada, o efeito do treinamento contínuo dos animais ficou saturado em um determinado nível. Mas com o aumento da atividade desses neurônios após o treinamento físico, a capacidade de resistência aumentou além do nível alcançado antes apenas com o treinamento.
Ao identificar esse circuito cerebral específico como fundamental na relação entre o esforço físico e os benefícios para a saúde, o estudo direciona os cientistas para onde podem direcionar esforços quando o movimento em si é limitado.
Em vez de agir diretamente nos músculos ou no coração, as terapias futuras poderiam ter como alvo a rede neural que interpreta o esforço e instrui o corpo sobre como se recuperar — atuando, efetivamente, no sistema de controle dos exercícios no cérebro, em vez de apenas nos músculos.
O professor Nicholas Betley espera que, em um futuro próximo, as descobertas possam ajudar pessoas em processos de reabilitação a manter os benefícios da atividade física para a saúde.
Atualmente, os pesquisadores investigando se os neurônios SF1 são o único local de integração dos sinais de exercício ou se atuam em paralelo com outros circuitos. Esse conhecimento seria relevante para a compreensão dos benefícios da atividade física para a saúde mental.
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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