Com publicação científica

Dr. Richard Jones, Universidade Monash
Pesquisadores do projeto SAEF coletando amostras
Por Redação SciAdvances
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O derretimento do gelo antártico pode contribuir significativamente para a elevação do nível dos oceanos, o que, por sua vez, pode causar inundações extremas, erosão costeira e danos severos às cidades, ameaçando a segurança de milhões de pessoas globalmente.
Por exemplo, de acordo com a Avaliação Nacional de Risco Climático de 2025 da Austrália, a elevação do nível do mar deverá expor mais de 1,5 milhão de pessoas em comunidades costeiras australianas a inundações extremas até 2050.
Porém, estimar o potencial de colapso de glaciares antárticos é um problema extremamente complexo, envolvendo a interação entre oceanos, atmosfera e dinâmicas glaciais.
Neste sentido, ferramentas que possam ajudar a estimar o derretimento do gelo e a consequente elevação do nível dos oceanos teriam um impacto importante na mitigação dos resultados.
Em uma publicação do tipo ‘comentário’ na revista científica One Earth, cientistas da Universidade Monash e da Universidade de Tecnologia de Queensland (QUT), na Austrália, e também da Universidade do Texas em Austin, nos EUA, defenderam que a análise da biodiversidade da Antártica pode ajudar a estimar o colapso do gelo antártico durante períodos quentes do passado.
Com essa compreensão, seria possível estimar melhor o potencial de colapso futuro do gelo antártico e melhorar as previsões futuras de elevação do nível do mar.
O conceito usado pelos pesquisadores é que a semelhança no DNA entre espécies terrestres localizadas em pontos diferentes da Antártica pode indicar que houve derretimento de gelo entre aquelas regiões no passado. Ao contrário, DNAs muito diferentes devem indicar que não houve colapso de gelo entre os pontos, que devem ter ficado separados por um longo período.
O Dr. Richard Jones, pesquisador do projeto Securing Antarctica’s Environmental Future (SAEF) da Universidade Monash e autor principal do estudo, afirmou que os dados biológicos de espécies terrestres fornecem novas perspectivas onde as evidências geológicas tradicionais são limitadas. Com esse recurso e com a possibilidade de testar diferentes cenários, a incerteza nas projeções futuras sobre o nível do mar pode ser reduzida.
O Dr. Steven Chown, professor da Universidade Monash e diretor do projeto SAEF, destacou que a abordagem requer colaboração interdisciplinar entre biólogos, geneticistas e glaciologistas.
Os cientistas estão identificando regiões onde levantamentos biológicos podem fornecer evidências decisivas para confirmar os recuos passados da camada de gelo.
Os especialistas esperam que o estudo ajude a estabelecer uma estrutura para que futuras expedições internacionais se concentrem em áreas com maior probabilidade de ajudar a compreender a dinâmica das camadas de gelo antártico no passado e, consequentemente, melhorar as projeções para o futuro.
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Mais Informações
Acesse a página do projeto Securing Antarctica’s Environmental Future (SAEF) (em inglês).
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