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Por Redação SciAdvances
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O zinco e outros microminerais, como o ferro e o cobre, são essenciais para a vida marinha, em especial para o fitoplâncton. Portanto, a camada mais superficial do oceano costuma ser relativamente pobre em zinco e outros metais-traço, já que são elementos consumidos pelo fitoplâncton.
Porém, cientistas têm identificado nos últimos anos diferentes isótopos destes metais na camada superior dos oceanos.
Isso significa que, para além do zinco oceânico natural, a superfície dos oceanos pode estar contaminada com a presença de zinco e outros metais de origem antropogênica, liberados pela combustão de combustíveis fósseis e por emissões industriais.
Essa presença de metais em oceanos, inclusive em regiões remotas do planeta, abre um novo alerta para a falta de limites da poluição ambiental causada pelas atividades humanas.
Para confirmar e avaliar essa presença de zinco antropogênico em regiões remotas, pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurique), na Suíça, e do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica (GEOMAR), na Alemanha, lideraram um estudo conduzido no oceano Pacífico Sul.
Os pesquisadores mostraram que o zinco antropogênico já é mais comum do que o zinco de origem natural naquela região oceânica isolada, o que pode ser justificado pelo transporte por longas distâncias por meio de partículas de aerossóis.
Para confirmar que o zinco encontrado é mesmo proveniente de atividades humanas, os pesquisadores também mediram a composição isotópica de chumbo, que é um indicador consagrado de poluição ambiental antropogênica.
No estudo, publicado na revista científica Nature Communications Earth and Environment, os pesquisadores adotaram uma abordagem inovadora: em vez de analisar apenas o zinco dissolvido na água do mar, eles também investigaram a composição isotópica do zinco em partículas na superfície do mar e em aerossóis da atmosfera.
Os cientistas confirmaram que o zinco antropogênico, transportado por aerossóis, é a principal fonte de zinco na camada superficial do Pacífico Sul. Em contrapartida, traços de zinco de fontes naturais não foram praticamente detectados.
O Dr. Tal Benaltabet, primeiro autor do estudo e pesquisador de pós-doutorado no grupo de pesquisa do Dr. Derek Vance, professor de Geoquímica do ETH Zurique e autor sênior do estudo, disse que praticamente todo o zinco na camada superior do Pacífico Sul é de origem artificial.
Os pesquisadores estimam que o aumento contínuo das emissões de metais antropogênicos pode perturbar o delicado equilíbrio de nutrientes na superfície oceânica. Se metais como zinco, ferro, cobre e cádmio continuarem a ser introduzidos nos oceanos, a disponibilidade de nutrientes poderá mudar, impactando potencialmente toda a cadeia alimentar marinha.
Agora, os cientistas pretendem expandir o estudo para outras regiões oceânicas.
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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