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Por Redação SciAdvances
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Substâncias químicas que interferem no sistema endócrino da mulher podem interferir na sinalização de hormônios naturais no organismo, provocando desequilíbrio hormonal.
Isso pode levar a condições como endometriose, miomas uterinos, alterações no ciclo menstrual e aumento do risco de câncer de mama.
O problema é que estas substâncias químicas podem estar presentes justamente em um produto bastante utilizado: os absorventes internos. Fragrâncias ou mesmo aditivos químicos podem tornar o produto menstrual uma fonte negligenciada de exposição a substâncias químicas que interferem no sistema endócrino da mulher.
Cientistas têm buscado compreender melhor esse risco e avançar no sentido de tornar os produtos menstruais cada vez mais seguros.
Um estudo liderado por pesquisadoras da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, constatou que alguns absorventes internos, sintéticos ou orgânicos, liberam baixos níveis de substâncias químicas que interferem nos hormônios.
A Dra. Alison Heather, professora da Universidade de Otago e autora sênior do estudo, afirmou que essas substâncias químicas com ação semelhante ao estrogênio estão sendo cada vez mais associadas a efeitos na saúde reprodutiva e hormonal.
Segundo a professora, os testes de segurança de absorventes internos concentraram-se habitualmente em aspectos como capacidade de absorção, e riscos de irritação e infecção, em vez de seu impacto nos hormônios. Mas os aditivos presentes em produtos menstruais podem ser uma fonte negligenciada de exposição a substâncias químicas que interferem no sistema endócrino.
No estudo, publicado na revista científica Journal of the Endocrine Society, as pesquisadoras testaram em laboratório 18 tipos de absorventes internos de diversas marcas e origens, com o objetivo de verificar se esses produtos liberavam tais substâncias químicas e se havia diferenças entre as marcas.
As pesquisadoras constataram que quase metade dos absorventes internos liberou baixos níveis de substâncias químicas com atividade semelhante à do estrogênio.
A Dra. Alison Heather fez questão de explicar que o estudo não indicou que os absorventes internos sejam inseguros, mas demonstrou que é possível fabricá-los sem atividade estrogênica detectável.
Com o cenário indicado na pesquisa, onde muitos produtos não têm carga química detectável e outros apresentam baixos níveis de substâncias indesejadas, a professora Alison Heather ressaltou a importância de atualizar as diretrizes regulatórias, de modo que os produtos menstruais sejam avaliados não apenas quanto à segurança microbiológica e ao potencial de irritação, mas também quanto a efeitos relacionados ao sistema endócrino.
Segundo as pesquisadoras, as descobertas reforçam a necessidade de tratar essas substâncias químicas como uma questão de saúde pública e ecológica em longo prazo, bem como de considerar as fontes e o impacto da exposição ao longo da vida de uma pessoa.
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