Com publicação científica

Divulgação, UFRGS
Dra. Nayara Cruz em laboratório
Por Redação SciAdvances
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Os recifes de coral no Atlântico Sul concentram alta biodiversidade, protegem as zonas costeiras contra a erosão e as tempestades, e sustentam a pesca artesanal e o turismo local.
Porém, esse ecossistema está cada vez mais vulnerável às mudanças climáticas: o aquecimento do oceano provoca o estresse térmico nos corais, o que resulta em branqueamento; a acidificação da água dificulta a absorção de carbonato de cálcio; e eventos extremos, como ondas de calor marinhas, limitam sua capacidade de recuperação natural.
Neste cenário, ações que possam restaurar partes comprometidas do ecossistema são bem-vindas para garantir sua existência em longo prazo.
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), do Instituto Federal da Bahia (IFBA) em Porto Seguro e da Universidade do Vale do Taquari (Univates) criaram o primeiro banco genético de corais do Oceano Atlântico Sul.
Os cientistas desenvolveram um protocolo de criopreservação capaz de armazenar 2,4 bilhões de espermatozoides viáveis do coral endêmico Mussismilia harttii (conhecido popularmente como coral-couve-flor), uma espécie-chave para a manutenção dos recifes brasileiros e atualmente ameaçada pelas mudanças climáticas.
A Dra. Nayara Oliveira da Cruz, primeira autora do estudo, explicou que os gametas liberados naturalmente pelos corais foram coletados no período da desova, em uma base de pesquisa no Sul da Bahia, onde os corais permaneceram em tanques com água do mar e condições ambientais muito semelhantes às do ambiente natural.
Após testes com diferentes combinações de crioprotetores e técnicas de congelamento, os cientistas chegaram à melhor opção, que alcançou viabilidade superior a 80% e fertilização de 100% dos óvulos, equivalente ao sêmen fresco.
O estudo, liderado Dr. Leandro de Godoy, professor da UFRGS, foi publicado na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems.
Após mais de dois anos armazenado em nitrogênio líquido, o material foi descongelado e testado, comprovando que continuava plenamente capaz de fertilizar os óvulos.
Com a coleta, congelamento, armazenamento po longo período e posterior uso com sucesso do material genético para fertilização, sem perda da capacidade reprodutiva, os pesquisadores conseguiram validar o primeiro banco de sêmen congelado de corais do Atlântico Sul.
O protocolo desenvolvido na pesquisa, que tem como base a criopreservação de sêmen de coral, pode ser aplicado em outras espécies e servir como base para programas nacionais de restauração de recifes, biotecnologia marinha e segurança genética.
Segundo os pesquisadores, a criação do banco genético de corais contribui para que esses ecossistemas possam ser recuperados no futuro, mesmo após grandes eventos de degradação ambiental.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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