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Por Redação SciAdvances
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O transplante de rim é um procedimento cirúrgico que substitui um rim comprometido por um rim saudável, de doador vivo ou falecido. Trata-se de uma solução para a insuficiência renal crônica avançada, recuperando a qualidade de vida do paciente.
Como, no processo de transplante, pode ocorrer a rejeição do novo órgão pelo sistema imunológico, o paciente transplantado precisa de medicamentos imunossupressores, que auxiliam no processo de ‘aceitação’ do novo órgão.
Porém, esses medicamentos não garantem que o novo rim tenha sucesso: mesmo assim, alguns pacientes ainda sofrem rejeição.
Embora a ciência já saiba que pessoas de ascendência africana apresentam taxas mais elevadas de rejeição e até perda total da função do rim transplantado, as razões genéticas e biológicas para isso ainda não eram conhecidas.
Agora, um novo estudo identificou um possível mecanismo genético relacionado ao risco aumentado de rejeição do rim transplantado em alguns pacientes com ascendência africana recente.
Os cientistas revelaram alterações na sinalização de células imunológicas que podem contribuir para a rejeição de transplantes renais, a partir do estudo de duas variantes do gene da apolipoproteína L1 (APOL1), conhecidas como G1 e G2.
Mais comuns entre pessoas com ascendência africana recente, essas variantes foram inicialmente identificadas como importantes fatores de risco genético para doenças renais nessa população e, desde então, também foram associadas à rejeição de transplantes renais.
Para isolar os efeitos pela APOL1 – sem a influência de fatores socioeconômicos, ambientais e biológicos, que também afetam as populações humanas – os pesquisadores recorreram a modelos de camundongos geneticamente modificados que portavam as variantes de risco G1 ou G2. Isso permitiu investigar se as variantes contribuem diretamente para a rejeição do transplante e caracterizar os mecanismos biológicos envolvidos.
O estudo foi liderado pelo Dr. Madhav Menon, professor e diretor de pesquisa em transplante renal na Escola de Medicina da Universidade Yale, e contou com a participação de colegas de Yale e também da Escola de Medicina Icahn em Monte Sinai, Brigham and Women’s Hospital, Universidade Washington em St. Louis, Universidade de Chicago, Universidade de Manitoba, Centro Médico Sedars-Sinai e da Escola Médica Meharry, nos EUA.
Os pesquisadores descobriram que camundongos portadores das variantes G1 ou G2 apresentavam ativação acentuada de células T do sistema imunológico, que desempenham um papel importante na rejeição de transplantes. Em modelos de transplante, os camundongos com a variante G1 também apresentaram maior infiltração de células imunes no tecido transplantado e menor sobrevida do órgão.
A pesquisa também constatou que as células T portadoras da variante G1 apresentaram uma resposta limitada à inibição da calcineurina — a via alvo de medicamentos imunossupressores comumente administrados para pacientes transplantados.
O professor Madhav Menon ressaltou que estudos futuros poderão avaliar se pacientes com essas variantes se beneficiariam de outras estratégias imunossupressoras, incluindo ajustes de dosagem ou a adição de agentes alternativos.
Os resultados foram publicados na revista científica The Journal of Clinical Investigation.
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