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Alimentação saudável faz parte de estratégia preventiva contra o declínio cognitivo
Por Redação SciAdvances
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No Brasil, estima-se que mais de 2 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivam atualmente com demência, número que poderá aumentar significativamente nas próximas décadas.
Mas esse número pode ser ainda maior: cerca de 80% das pessoas que convivem com a doença ainda não foram diagnosticadas.
O envelhecimento populacional e a elevada prevalência de fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias sem controle adequado, tornam a prevenção ainda mais importante.
Um novo estudo clínico controlado, randomizado, multicêntrico e simples-cego avaliou estratégias de prevenção do declínio cognitivo na América Latina.
O estudo, chamado LatAm-FINGERS, mostrou que mudanças no estilo de vida podem melhorar significativamente a saúde cognitiva de idosos em risco de desenvolver demência.
O estudo reuniu 1.065 participantes, com idades entre 60 e 77 anos, distribuídos por centros de pesquisa dos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, República Dominicana e Uruguai.
Os pesquisadores puderam observar que uma intervenção baseada em atividade física, alimentação saudável, treinamento cognitivo, socialização e controle clínico e cardiovascular (intervenção multidomínio) levou os participantes a alcançarem uma melhora 55% superior na cognição global em comparação àqueles que receberam apenas orientações gerais de saúde.
Além da melhora na cognição global, os participantes submetidos à intervenção estruturada apresentaram avanços em funções cognitivas essenciais, como memória, atenção e funções executivas, após dois anos de acompanhamento.
Do Brasil, participaram do estudo pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP); Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH-USP); Hospital das Clínicas da FMUSP (HC-FMUSP); Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (Medicina UFMG); Faculdade de Farmácia da UFMG (Farmácia UFMG); Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG (EEFFTO-UFMG) e da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG).
Ao final dos dois anos de intervenção, 82,3% dos voluntários concluíram o acompanhamento.
Segundo os pesquisadores, a intervenção multidomínio no estilo de vida, culturalmente adaptada, mostrou-se viável em toda a América Latina e resultou em maiores melhorias cognitivas do que uma intervenção baseada apenas em orientações flexíveis de saúde em idosos com risco de declínio cognitivo.
A publicação científica ressaltou as evidências da importância nas mudanças de estilo de vida em populações historicamente sub-representadas em pesquisas sobre demência, destacando que a intervenção multidomínio pode de fato reduzir o risco de declínio cognitivo diante da crescente carga da demência em países de baixa e média renda.
Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet.
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