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Por Redação SciAdvances
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A depressão é uma condição psiquiátrica complexa e multifatorial que a ciência ainda não compreende completamente, o que tem motivado muitos grupos de pesquisa em todo o mundo.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta cerca de 350 milhões de pessoas globalmente e pode ter como gatilhos fatores genéticos e epigenéticos, condições ambientais, estresse, deficiência de nutrientes e abusos na infância, dentre outros.
Mesmo apenas em relação à influência da genética sobre a depressão, o cenário não é simples: os genes parecem atuar em conjunto para aumentar a vulnerabilidade cerebral ao estresse, influenciando as chances de depressão e outros transtornos psiquiátricos.
Um estudo liderado por cientistas da Universidade de Barcelona, na Espanha, integrou dados de estudos de associação de genoma amplo, previsões de expressão gênica no cérebro, análises de redes moleculares e estudos de doenças raras para identificar 19 genes que podem contribuir para tornar alguns indivíduos mais suscetíveis à depressão, à ansiedade e a traços como irritabilidade ou neuroticismo.
Esses genes parecem ser regulados pelo gene RBFOX1, que atua como um componente central de uma rede genética ligada a vários processos fundamentais do funcionamento cerebral, ajudando a coordenar quando e como outros genes envolvidos na função cerebral são ativados ou processados. Neste caso, alterações no gene RBFOX1 podem desencadear uma reação em cadeia afetando múltiplos processos simultaneamente — como o desenvolvimento neuronal, a comunicação neuronal e a regulação da neurotransmissão.
O estudo, publicado na revista científica Progress in Neuro-Psychopharmacology and Biological Psychiatry., também teve a participação de pesquisadores do Centro Espanhol de Pesquisa Biomédica em Doenças Raras (CIBERER) e do Instituto de Pesquisa Sant Joan de Déu (IRSJD), na Espanha, e da Universidade Goethe Frankfurt, na Alemanha.
De acordo com o Dr. Bru Cormand e com a Dra. Noèlia Fernàndez Castillo, professores da Universidade de Barcelona, o estudo mostrou novas perspectivas sobre os mecanismos biológicos que afetam a depressão e outros transtornos associados, podendo motivar o desenvolvimento de biomarcadores e tratamentos mais personalizados.
De acordo com os pesquisadores, atuar sobre mecanismos compartilhados entre várias condições poderia beneficiar simultaneamente diversos transtornos que frequentemente coexistem nos pacientes.
Apesar da relevância das descobertas, mais pesquisas são necessárias para uma validação mais ampla, eventualmente envolvendo experimentos funcionais para analisar a atividade de um gene específico e os efeitos de sua alteração.
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Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
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