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Médica medindo circunferência da cintura em paciente
Por Redação SciAdvances
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A ciência sabe que a obesidade aumenta o risco de desenvolver doenças cardiometabólicas, como hipertensão e diabetes tipo 2, mas ainda não está claro como quantificar adequadamente a obesidade de um modo que permita uma avaliação melhor dos riscos que podem vir.
Na maioria das vezes, a obesidade ainda é definida apenas através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC), que considera as medidas de altura e peso do indivíduo.
Porém, outros parâmetros importantes podem influenciar o risco que a obesidade pode causar, como a porcentagem de gordura corporal e a circunferência da cintura.
Nos últimos anos, pesquisas têm demonstrado que a avaliação da adiposidade apenas considerando o IMC pode trazer um olhar limitado sobre o risco de desenvolvimento de várias doenças relacionadas à obesidade.
Em 2025, uma comissão de pesquisadores e especialistas publicou novos critérios para o diagnóstico da obesidade clínica na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology, justamente destacando as limitações de considerar apenas o IMC, que pode tanto superestimar quanto subestimar a adiposidade.
Um novo estudo de pesquisadoras da Universidade Lund e da farmacêutica AstraZeneca, na Suécia mostrou evidências sobre como avaliar melhor a obesidade do ponto de vista do risco de doenças.
O estudo, publicado na revista científica eBioMedicine, faz parte de um projeto de medicina de precisão baseado em dados, conduzido por Sophie Gunnarsson, que é cientista sênior da AstraZeneca, doutoranda no Centro de Diabetes da Universidade Lund e primeira autora do estudo. Sophie é orientada pela Dra. Rashmi Prasad, professora de Genética e Diabetes da Universidade Lund e também coautora principal do estudo.
Foram analisados dados de 489.311 participantes da base de dados do Biobanco do Reino Unido, acompanhados por uma mediana de 13 anos. Durante o período de acompanhamento, 24.778 indivíduos de todos os participantes do estudo sofreram eventos cardiovasculares, 30.376 foram diagnosticados com diabetes tipo 2 e 14.906 desenvolveram doença renal crônica.
As pesquisadoras usaram tanto a porcentagem de gordura corporal quanto a circunferência da cintura para agrupar os indivíduos em cinco categorias de risco crescente (Grupo 1 ao Grupo 5) ao avaliar o risco de desenvolver os seguintes desfechos: morte cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal ou acidente vascular cerebral não fatal, diabetes tipo 2 e doença renal crônica.
Em comparação com o Grupo 1, considerado o grupo de referência de adiposidade saudável, o Grupo 5 apresentou um risco nove vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2, duas vezes maior de desenvolver doença renal crônica e 64% maior de desenvolver eventos cardiovasculares.
Mesmo para indivíduos considerados não obesos de acordo com o IMC, a análise identificou uma parcela significativa de indivíduos com alto risco para alguns desfechos.
Alguns indivíduos com perfil de adiposidade adverso após considerar os parâmetros incorporados, apesar de terem um IMC abaixo do limite da obesidade, apresentaram um risco 45% maior de eventos cardiovasculares, 58% maior de doença renal crônica e um risco mais de quatro vezes maior de desenvolver diabetes tipo 2, em comparação com participantes do Grupo 1.
Segundo Sophie Gunnarsson, o estudo fornece novas evidências de que a integração da porcentagem de gordura corporal e da circunferência da cintura permite uma análise de risco que apenas a análise do IMC não detecta. De acordo com a doutoranda, os resultados podem ajudar a aprimorar a estratificação de risco, bem como a priorização de intervenções no estilo de vida, terapias antiobesidade e até cirurgia bariátrica.
A professora Rashmi Prasad espera que, em longo prazo, a pesquisa contribua para o tratamento individualizado da obesidade e para a prevenção de doenças relacionadas em indivíduos de alto risco.
Em suas publicações, o Portal SciAdvances tem o único objetivo de divulgação científica, tecnológica ou de informações comerciais para disseminar conhecimento. Nenhuma publicação do Portal SciAdvances tem o objetivo de aconselhamento, diagnóstico, tratamento médico ou de substituição de qualquer profissional da área da saúde. Consulte sempre um profissional de saúde qualificado para a devida orientação, medicação ou tratamento, que seja compatível com suas necessidades específicas.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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Acesse os novos critérios para o diagnóstico da obesidade clínica na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology (em inglês).
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