Com publicação científica

David Herraez Calzada via Shutterstock
Fisioterapeuta auxiliando paciente com ELA
Por Redação SciAdvances
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A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa grave e progressiva, que afeta os neurônios motores e vai comprometendo os movimentos, causando fraqueza muscular cada vez mais intensa.
A doença pode ser de origem genética ou não, mas pouco se sabe sobre as causas e mecanismos envolvidos.
Pacientes com ELA vivem em média apenas três anos após o início dos sintomas, embora algumas pessoas possam sobreviver por quase 10 anos. A ciência ainda desconhece as causas dessas diferenças na sobrevida.
Um novo estudo de cientistas da Escola de Medicina da Universidade Northwestern, nos EUA, mostrou evidências de que a ELA se desenvolve por meio de uma sequência de eventos em ‘efeito dominó’, que começa com uma degeneração precoce nos neurônios motores e é seguida por uma resposta inflamatória.
As descobertas, publicadas na revista científica Nature Neuroscience, ajudam a explicar por que a doença piora com o tempo, por que alguns pacientes pioram mais rapidamente do que outros e como os tratamentos futuros podem ser mais personalizados.
Segundo o Dr. David Gate, diretor do Centro de Neurogenômica da Escola de Medicina da Universidade Northwestern e coautor sênior do estudo, a pesquisa revelou que a ELA não é um evento único, mas uma sequência de eventos que começa nos neurônios motores com a patologia da proteína TDP-43 e é então amplificada por uma resposta imune inflamatória na corrente sanguínea e na medula espinhal.
O Dr. Evangelos Kiskinis, professor de Neurologia e Neurociências da Universidade Northwestern e também coautor sênior do estudo, destacou que a intensidade da inflamação da medula espinhal não determina quando alguém desenvolve a doença, mas sim a velocidade de progressão da doença e o tempo de sobrevida.
Os cientistas analisaram amostras de sangue e da medula espinhal de quase 300 pacientes (vivos e falecidos) com formas de ELA genética e não genética, bem como de indivíduos do grupo de controle.
Com a aplicação de tecnologias de última geração, incluindo sequenciamento de RNA de célula única e transcriptômica espacial, os cientistas conseguiram comparar pacientes com ELA não genética e genética, o que permitiu observar como a atividade imunológica difere entre os tipos de ELA e os estágios da doença.
Para a análise das respostas inflamatórias no sistema nervoso central, os cientistas examinaram o RNA de amostras post-mortem de 237 pacientes com ELA.
O estudo descobriu que células imunes convergem para locais de perda de neurônios motores e de patologia da proteína TDP-43 com padrões inflamatórios distintos, dependendo do tipo de ELA e da velocidade de progressão da doença. Para os pesquisadores, isso significa que o sistema imunológico responde à patologia e agrava a doença.
Segundo os pesquisadores, as descobertas sugerem que, se os tratamentos puderem atingir essas atividades imunológicas, poderão retardar a progressão da doença. Além disso, as futuras terapias podem precisar ser adaptadas a subtipos e estágios específicos da ELA para serem mais eficazes.
Pacientes cuja doença progrediu rapidamente apresentaram atividade aumentada em certos genes imunológicos, enquanto aqueles com a forma genética apresentaram um conjunto diferente de genes imunológicos alterados.
Agora, os cientistas pretendem compreender exatamente como a reação do sistema imunológico se espalha por todo o circuito motor, do cérebro aos músculos, além de testar se existe uma relação causal entre a disfunção da proteína TDP-43 e a inflamação e, em caso positivo, compreender o mecanismo envolvido.
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Publicação
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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