Com publicação científica

Giovanni Cancemi via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
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A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune rara em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular, que pode progredir das pernas para o resto do corpo, e formigamento. Em casos graves, o paciente pode ficar completamente paralisado e precisar de ventilação mecânica para respirar.
A maioria das pessoas se recupera, mas o processo pode ser lento e pode deixar sequelas permanentes.
A ciência já sabe que a síndrome pode aparecer após infecções virais ou bacterianas, como a dengue. Como epidemias de dengue têm sido cada vez mais frequentes, no Brasil e em outros países, faltava até agora um estudo abrangente que quantificasse o risco de desenvolver a síndrome após o estabelecimento da dengue.
A compreensão desse risco poderia ajudar sistemas de saúde a se prepararem, com um enfrentamento precoce da situação.
Um novo estudo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Bahia) e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTN), no Reino Unido, mostrou que pessoas infectadas pelo vírus da dengue têm um risco significativamente maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré nas primeiras semanas da infecção.
Os pesquisadores analisaram três grandes bases de dados do Sistema Único de Saúde (SUS): internações hospitalares, notificações de casos de dengue e registros de óbitos.
O estudo foi publicado na revista científica New England Journal of Medicine na forma de ‘correspondência editorial’.
A análise dos dados do SUS permitiu identificar mais de 5 mil hospitalizações pela Síndrome de Guillain-Barré entre 2023 e 2024. Dessas hospitalizações, 89 ocorreram logo após o paciente apresentar dengue.
Os pesquisadores identificaram que pessoas infectadas pelo vírus da dengue têm um risco 17 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré nas seis semanas seguintes à infecção. Nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas da dengue, esse risco pode chegar a ser 30 vezes maior.
O estudo quantificou que, para cada 1 milhão de casos de dengue, 36 pessoas podem desenvolver Síndrome de Guillain-Barré. Diante do aumento considerável de casos de dengue, este número não é pequeno.
Com os resultados que mostram claramente o cenário de aumento de risco, os cientistas sugerem urgência na incorporação da Síndrome de Guillain-Barré como complicação pós-dengue nos protocolos de vigilância, já que ocorrências da síndrome podem requerer leitos de UTI e suporte ventilatório.
Os pesquisadores lembraram também que a vacinação contra a dengue pode reduzir drasticamente o número de casos e, consequentemente, o número de complicações graves como a Síndrome de Guillain-Barré.
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