Com publicação científica

Jo Panuwat D via Shutterstock
Por Redação SciAdvances
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A obesidade, que pode levar a doenças crônicas e aumentar o risco de morte, é um dos grandes problemas de saúde pública em nível global. A alimentação de baixa qualidade, com grande consumo de alimentos ultraprocessados; o sedentarismo; fatores socioeconômicos, que dificultam o acesso a alimentos saudáveis, e até mesmo distúrbios da saúde mental, que podem levar a distúrbios alimentares, têm papel de destaque na prevalência da obesidade.
Porém, é muito difícil um olhar único sobre a situação global, já que diferenças regionais e por países, mesmo no acesso à alimentação saudável, são flagrantes.
Neste sentido, não só a análise de números absolutos, mas uma análise de tendência ao longo do tempo pode trazer uma visão mais detalhada da dinâmica da obesidade, sua diversidade e desigualdades.
Um estudo recente liderado por pesquisadores do Imperial College de Londres, no Reino Unido, e publicado na revista científica Nature, analisou mais de quatro décadas de dados de saúde de 200 países e territórios, abrangendo o período de 1980 a 2024.
As descobertas surgem no momento em que especialistas de todo o mundo se reúnem no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026), trazendo um panorama mais otimista sobre a obesidade, principalmente em países de alta renda.
No estudo, os pesquisadores utilizaram as taxas de aumento ou redução da obesidade como medida-chave a partir da variação absoluta anual na prevalência da obesidade e considerada em pontos percentuais por ano. Usando esse método, os cientistas conseguiram fornecer uma visão mais clara de onde as taxas de obesidade estão aumentando, estabilizando ou reduzindo.
A equipe analisou medidas de peso e altura de mais de 232 milhões de pessoas com cinco anos de idade ou mais (70 milhões de pessoas com idade entre 5 e 19 anos e 162 milhões com 20 anos ou mais), representando 200 países e territórios.
Mais de 1.900 pesquisadores contribuíram para o estudo, que analisou o índice de massa corporal (IMC) para avaliar a obesidade. Os pesquisadores usaram padronização por idade para ajustar as estimativas de obesidade de acordo com as diferenças na distribuição da população em diferentes faixas etárias.
Em relação às taxas de obesidade, os resultados por país ou território foram classificados como ‘aumento em aceleração’, ‘aumento constante’, ‘aumento em desaceleração’, ‘sem aumento ou declínio’ e taxas ‘em declínio’.
Os resultados mostraram que boa parte dos países de alta renda registrou tendências de ‘aumento em desaceleração’, ‘sem aumento ou declínio’ e ‘em declínio’. Segundo o estudo, a desaceleração ocorreu primeiro em crianças em idade escolar, seguida por uma redução em adultos cerca de uma década depois.
Os pesquisadores afirmaram que a visão de ‘epidemia global’ de obesidade pode simplificar e mascarar a grande diversidade observada entre os países, que pode estar ligada ao acesso a uma alimentação saudável.
Apesar das melhoras registradas nos países de alta renda, o estudo destaca ainda o aumento sustentado da obesidade em muitos países de baixa e média renda, principalmente do Sul global. No Brasil, por exemplo, como em muitos países da África e da Ásia, o estudo destacou uma condição de ‘aumento em aceleração’, tanto para homens quanto para mulheres.
Os pesquisadores do estudo destacaram que, ao focar no ritmo de mudança da obesidade ao longo do tempo, em vez de apenas na prevalência, podem ser identificados países ou regiões em situação crítica, onde são necessárias ações urgentes, incluindo políticas robustas de saúde e alimentação.
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