Com publicação científica

Câncer multirresistente
Em animais, nanopartículas conseguem vencer o câncer resistente a múltiplos fármacos
Nova abordagem tecnológica tem potencial para melhorar resultados da quimioterapia

Vink Fan via Shutterstock

Ilustração 3D de célula cancerígena

Por Redação SciAdvances

12 de maio de 2026, 12:34

Fonte

Áreas

Biologia, Biomedicina, Bioquímica, Biotecnologia, Engenharia Biológica, Entrega de Medicamentos, Farmacologia, Medicina, Medicina de Precisão, Microbiologia, Nanotecnologia Farmacêutica, Oncologia, Quimioterapia, Toxicologia

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Câncer multirresistente

Um dos maiores desafios nos casos em que a quimioterapia tem resultados limitados no tratamento do câncer é a chamada ‘resistência a múltiplos fármacos’.

Um dos principais mecanismos por trás da multirresistência das células cancerígenas é a superexpressão da glicoproteína P, um agente que consegue ‘expulsar’ boa parte do medicamento quimioterápico antes que tenha efeito terapêutico.

Neste sentido, algumas pesquisas já tentaram administrar simultaneamente inibidores da glicoproteína P e fármacos anticancerígenos, em tentativas de desligar a ‘proteção’ das células cancerígenas antes da ação do medicamento. Mas os resultados têm alcançado eficácia limitada.

Avanço: novas nanopartículas conseguem inibir glicoproteína P antes da administração controlada do medicamento

Pesquisadores conseguiram desenvolver nanopartículas que primeiro desativam o mecanismo de expulsão de fármacos das células cancerígenas para só depois liberar o medicamento anticâncer.

Ao combinar essa abordagem sequencial de administração de fármacos com terapia fototérmica – usando luz laser infravermelha próxima para aquecer e destruir o tumor -, foi alcançada a eliminação completa do tumor e 100% de sobrevivência em um modelo animal de câncer resistente a medicamentos, sem toxicidade detectável em tecidos normais.

O avanço foi liderado por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e da Universidade de Estrasburgo, na França, em uma colaboração internacional com colegas do Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão (JAIST) e da Universidade Tohoku, no Japão. O estudo foi publicado na revista científica Journal of Controlled Release.

Segundo o Dr. Eijiro Miyako, professor da Universidade Tohoku e um dos coautores sêniores do estudo, o mecanismo de liberação sequencial exclusivo foi desenvolvido com foco no aumento da eficácia do tratamento, inibindo a ação da glicoproteína P, que potencialmente expulsa o fármaco, antes da liberação do medicamento sobre as células cancerígenas.

Após inibição da glicoproteína P, liberação controlada integrada à terapia fototérmica mostraram excelentes resultados in vitro e em estudo com animais

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