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Voluntários ajudam a coletar resíduos plásticos em ponto turístico
Por Redação SciAdvances
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Em todo o mundo, mais de 460 milhões de toneladas de plástico são produzidas anualmente. Desta quantidade, mais de 200 milhões de toneladas tornam-se resíduos, que podem ser reciclados ou não.
No Brasil, apesar dos números desencontrados sobre a produção e reciclagem de plásticos publicados por várias fontes, a taxa total de plásticos reciclados geralmente é considerada inferior a 5%. O restante desse material costuma acabar em aterros sanitários ou mesmo descartado incorretamente no meio ambiente.
Ao mesmo tempo, a necessidade urgente de reduzir a dependência de combustíveis fósseis tem impulsionado o desenvolvimento de tecnologias na busca por fontes de energia mais limpas.
Neste cenário, pesquisadores têm se concentrado na busca pela solução simultânea dos dois problemas: seria viável uma tecnologia escalável para a obtenção de combustível limpo a partir de resíduos plásticos?
Um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Adelaide, na Austrália, explorou como tecnologias que usam a energia solar podem converter plásticos descartados em hidrogênio, gás de síntese e outros produtos químicos industriais úteis, oferecendo um novo caminho para uma economia circular mais sustentável.
A pesquisa, publicada na revista científica Chem Catalysis, destacou como os plásticos podem ser reaproveitados como um recurso inexplorado, em vez de serem descartados como lixo.
Uma das alternativas para a conversão de plásticos em combustível limpo é a fotorreforma movida a energia solar, que utiliza fotocatalisadores para decompor os plásticos em temperaturas relativamente baixas. Essas reações poderiam produzir hidrogênio, bem como outros produtos químicos valiosos utilizados na indústria.
A fotorreforma é considerada um processo mais eficiente em termos energéticos do que a tradicional eletrólise da água para a produção de hidrogênio, além de ser potencialmente mais viável para aplicação em larga escala.
Segundo os pesquisadores, as tecnologias de conversão de plástico em combustível movidas a energia solar podem desempenhar um papel fundamental na construção de um futuro próximo sustentável e de baixo carbono.
O estudo também apontou desafios significativos que precisam ser superados antes que a tecnologia possa ser amplamente implementada.
O Dr. Xiaoguang Duan, professor da Universidade Adelaide e autor sênior do estudo, destacou a importância da triagem e do pré-tratamento dos plásticos, já que diferentes tipos de plásticos comportam-se de maneira diferente durante o processo de conversão, e aditivos como corantes e estabilizantes podem interferir no processo.
Também são necessários avanços em fotocatalisadores, que devem ser altamente seletivos e duráveis, capazes de suportar condições químicas severas, mantendo-se eficientes ao longo do tempo. Os sistemas atuais de fotocatálise são em geral susceptíveis à degradação, limitando seu uso em longo prazo.
Para enfrentar esses desafios, os pesquisadores defendem uma abordagem integrada, que combine avanços no design de catalisadores, engenharia de reatores e otimização de sistemas.
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Acesse o resumo do artigo científico (em inglês).
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