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Por Redação SciAdvances
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PFAS (substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas) são um grande grupo de substâncias sintéticas encontradas em muitos produtos e alimentos, incluindo espuma de combate a incêndios. Essas substâncias são altamente persistentes e certos tipos de PFAS permanecem na natureza e no corpo por um longo período, o que leva essas substâncias a serem chamadas de produtos químicos ‘eternos’.
As substâncias PFAS podem inclusive atravessar a placenta, o que significa que a exposição da mãe durante a gravidez também resulta em exposição para o feto.
Em 2013, em uma pequena cidade do Sul da Suécia chamada Ronneby, foram descobertos altos níveis de substâncias PFAS na água potável do município, que teria estado sujeita à contaminação por espuma de combate a incêndios por décadas. Esse foi um dos casos mais graves registrados em todo o mundo sobre contaminação por níveis muito altos de PFAS.
Pesquisadores da Universidade Lund, na Suécia, investigaram a relação entre a exposição a substâncias PFAS e o risco de desenvolver asma em crianças.
Os cientistas investigaram a prevalência de asma em mais de 11.000 crianças nascidas entre 2006 e 2013 no condado de Blekinge, na Suécia, que inclui a cidade de Ronneby.
As crianças participantes do estudo foram acompanhadas desde o nascimento até os 12 anos de idade.
Para estimar a exposição a substâncias PFAS, os pesquisadores utilizaram os endereços residenciais das mães durante os cinco anos anteriores ao nascimento da criança. Também foram consideradas as informações da prefeitura sobre o abastecimento de água.
As mães foram divididas em diferentes grupos, variando de baixa a muito alta exposição a PFAS. Os pesquisadores definiram ‘exposição muito alta’ se a mãe residiu em um endereço com água potável fortemente contaminada por PFAS durante todos os cinco anos. Já a classificação de ‘alta exposição’ foi considerada se a mãe viveu no endereço com alta contaminação por, pelo menos, um dos cinco anos anteriores ao nascimento.
A contaminação trágica de PFAS na cidade permitiu ao estudo um diferencial importante em relação a estudos anteriores: desta vez, os cientistas puderam, de fato, estudar os riscos das substâncias PFAS considerando níveis muito altos de contaminação, e não apenas contaminações baixas ou intermediárias.
Segundo a Dra. Annelise Blomberg, pesquisadora da Universidade Lund e primeira autora do estudo, os resultados mostraram uma clara ligação entre a exposição muito alta a PFAS e uma maior incidência de asma: o risco de desenvolver asma foi cerca de 40% maior entre os filhos de mães com exposição muito alta a PFAS, em relação aos filhos de mães com níveis mais baixos de exposição.
Por outro lado, não foi observado aumento na incidência de asma em crianças cujas mães foram expostas a níveis intermediários de PFAS durante a gravidez.
A Dra. Anna Saxne Jöud, professora de Epidemiologia da Universidade Lund e autora sênior da pesquisa, destacou que o estudo permitiu apenas a observação dessa relação entre os altos níveis de contaminação por PFAS e aumento no risco da asma, sem permitir o estabelecimento de uma relação causal entre a poluição e a asma, apesar da equipe de pesquisa ter feito o possível para descartar outros fatores que pudessem influenciar os resultados.
As pesquisadoras da Universidade de Lund sugerem que mais pesquisas sejam desenvolvidas para investigar se resultados semelhantes podem ser observados em outras populações com altíssima exposição a PFAS.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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