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Cobra píton
Por Redação SciAdvances
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Depois de uma grande refeição, cobras pítons podem ficar meses ou até um ano sem comer mais nada, em ciclos metabólicos de alimentação e jejum extremos.
A ciência tem interesse e muitos pesquisadores têm se dedicado a estudar moléculas presentes em diversos animais e sua aplicabilidade no desenvolvimento de novos fármacos.
No caso das cobras, moléculas envolvidas em seu metabolismo, que estão presentes após sua alimentação ou nos ciclos de longos jejuns, poderiam ser aplicadas em medicamentos para a perda de peso.
Cientistas da Escola de Medicina da Universidade Stanford e da Universidade do Colorado em Boulder, nos EUA, descobriram metabólitos que ficam muito mais disponíveis em cobras pítons após uma grande refeição.
Os cientistas identificaram mais de 200 metabólitos cuja concentração sanguínea aumentou pelo menos 32 vezes nas cobras pítons poucas horas após a alimentação, e 24 metabólitos que diminuíram na mesma proporção.
Entre esses metabólitos, está a molécula chamada pTOS – um metabólito pouco estudado em humanos e conhecido principalmente como uma molécula excretada na urina – que teve um aumento de até 1.000 vezes após a refeição.
Segundo o Dr. Jonathan Long, professor de Patologia da Escola de Medicina da Universidade Stanford e um dos autores sêniores do estudo, a administração do metabólito pTOS a camundongos de laboratório em níveis semelhantes aos observados nas pítons após a alimentação teve como efeito regular o apetite e o comportamento alimentar dos animais, fazendo com que os animais rejeitassem suas rações e perdessem peso.
Em laboratório, camundongos obesos que receberam o metabólito pTOS comeram significativamente menos do que os camundongos do grupo controle, que não receberam o metabólito; após 28 dias, a perda de peso dos animais que receberam as moléculas foi de 9% do peso corporal.
Experimentos adicionais mostraram que o pTOS é um subproduto da degradação de um aminoácido por bactérias no intestino das cobras e que segue para o hipotálamo no cérebro, onde ativa neurônios envolvidos na regulação do comportamento alimentar.
Os resultados foram publicados na revista científica Nature Metabolism.
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Acesse o artigo científico completo (em inglês).
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