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Universidade de Helsinque
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Resumo
Com base no acompanhamento das trajetórias reprodutivas e sobrevivência de quase 15 mil mulheres desde 1975, cientistas avaliaram o envelhecimento biológico e o risco de mortalidade em um subconjunto de 1.054 participantes usando um relógio epigenético a partir da metilação do DNA.
O estudo, de base populacional, mostrou que gestações que ocorrem aproximadamente entre os 24 e 38 anos foram associadas a padrões de envelhecimento e longevidade mais favoráveis, mas mulheres com mais de quatro filhos foram associadas a menor expectativa de vida e ao envelhecimento biológico acelerado. Mulheres sem filhos também apresentaram envelhecimento mais rápido do que mulheres com alguns filhos.
Por ser apenas um estudo populacional com dados da Finlândia, os cientistas destacaram que os resultados não demonstram relações de causa e efeito, nem fornecem uma base para recomendações individuais para mulheres em idade reprodutiva.
Foco do Estudo
Por que é importante?
A potencial relação inversa evolutiva entre reprodução e longevidade interessa aos pesquisadores desde o início do século XX, mas inúmeros estudos sobre o tema produziram resultados conflitantes.
Atualmente, pesquisadores têm tentado associar, do ponto de vista populacional, a história reprodutiva de mulheres com seu envelhecimento e suas condições de saúde.
Estudo
Um estudo realizado recentemente na Finlândia sugere que, em nível populacional, tanto o número de filhos quanto o momento da gravidez são refletidos na saúde e na expectativa de vida das mulheres na idade adulta.
Os pesquisadores analisaram dados do Estudo de Coorte de Gêmeos da Finlândia, que tem acompanhado milhares de pares de gêmeos na Finlândia, coletando dados extensivos por meio de questionários, entrevistas e amostras biológicas. Participantes do estudo foram convidadas a preencher um questionário em 1975, e seu curso de vida tem sido acompanhado regularmente até os dias atuais.
Os pesquisadores modelaram a associação entre trajetórias reprodutivas e sobrevivência em 14.836 mulheres e avaliaram o envelhecimento biológico em um subconjunto de 1.054 participantes usando um relógio epigenético, ou seja, um algoritmo treinado para prever o envelhecimento biológico e o risco de mortalidade a partir da metilação do DNA.
Os relógios epigenéticos visam medir o envelhecimento biológico — ou seja, a deterioração gradual de células e tecidos. Com isso, alterações relacionadas ao envelhecimento podem ser detectadas anos ou até décadas antes da morte.
O estudo, pulicado na revista científica Nature Communications, foi realizado por meio de uma colaboração entre a Universidade de Helsinque, Universidade de Jyväskylä e o Instituto de Pesquisa Médica da Fundação Minerva, na Finlândia.
Do ponto de vista da biologia evolutiva, os organismos têm recursos limitados, como tempo e energia. Quando uma grande quantidade de energia é investida na reprodução, ela é retirada dos mecanismos de manutenção e reparo do corpo, o que pode reduzir a expectativa de vida
Resultados
Com base no acompanhamento das quase 15.000 participantes, mulheres com dois a três filhos tendem a viver mais. O momento da gravidez também é importante: de acordo com o estudo, gestações que ocorrem aproximadamente entre os 24 e 38 anos foram associadas a padrões de envelhecimento e longevidade mais favoráveis.
Em particular, ter um número de filhos acima da média (mais de quatro) foi associado a uma menor expectativa de vida e ao envelhecimento biológico acelerado. Segundo os pesquisadores, essa descoberta está em consonância com a Teoria da História de Vida na biologia evolutiva, desenvolvida no século XX.
De forma um tanto inesperada, o estudo também descobriu que mulheres sem filhos apresentaram envelhecimento mais rápido do que mulheres com alguns filhos. Esse resultado pode ser explicado por outros fatores relacionados ao estilo de vida ou à saúde, cujos efeitos não puderam ser totalmente controlados nas análises.
Os resultados corroboraram conclusões anteriores baseadas em dados de mortalidade. De acordo com relógios epigenéticos, mulheres que tiveram muitos filhos ou nenhum filho eram biologicamente um pouco mais velhas do que sua idade cronológica.
“Uma pessoa biologicamente mais velha do que sua idade cronológica tem um risco maior de morte. Nossos resultados mostram que as escolhas ao longo da vida deixam uma marca biológica duradoura que pode ser medida muito antes da velhice”, afirmou Miina Ollikainen.
O grupo de pesquisa enfatizou que as descobertas se aplicam apenas em nível populacional e não demonstram relações de causa e efeito, nem fornecem uma base para recomendações individuais para mulheres em idade reprodutiva. Por exemplo, atualmente o tamanho das famílias diminuiu e a idade da primeira gravidez aumentou em comparação com o período abrangido pelo estudo.
[Pelo fato de que as análises se aplicam apenas em nível populacional], uma mulher individualmente não deve considerar mudar seus planos ou desejos em relação a filhos com base nessas descobertas
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Autores/Pesquisadores Citados
Publicação
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